Frase de Silvano Pontes
Salmo do caboclo Meu Deus Altíssimo, Dono dos rios, dos matos e dos céus, eu tô aqui, de joelho no chão de alma aberta que nem rio em enchente, pra falar Contigo, Senhor. Eu não tenho palavra bonita, não, mas o Senhor conhece o que mora dentro do peito da gente. Sabe quando a gente cansa no remo, quando falta farinha na cuia, quando a doença chega no barraco da beira do igarapé. Mas também sabe, meu Deus, que caboclo é forte porque o Senhor é forte com a gente. É no banzeiro bravo que a fé cresce, é na beirada do sofrimento que o milagre acontece. És Tu que sopras o vento nas folhas do buritizeiro, és Tu que levanta o sol pra esquentar o chão molhado, és Tu que dá força pro caboclo vencer a correnteza, e proteção pra caminhar no meio do mato fechado. Guarda, meu Deus, minha canoa e minha casa, protege minha família da peste, da fome e do assombro da noite. Que minha farinha nunca falte, que a malhadeira fique cheia, e que minha fé nunca seque, igual igarapé em verão brabo. Se a doença bater, Tu és o remédio. Se a tristeza chegar, Tu és o cântico. Se a tentação rondar, Tu és escudo e espada. Me ensina, Senhor, a ser firme como jaú contra a correnteza, manso como águas de igapó, e forte como tronco de sumaúma. Quando o trovão rachar o céu, eu não temerei, quando o rio se enfurecer, eu não me abalarei, porque Tu és meu remo, meu porto e meu rochedo. Em nome do Teu Filho, Jesus Cristo, aquele que é caminho pra quem tá perdido no mato, luz pra quem se afunda na escuridão, e salvação pra quem rema cansado na vida, eu oro, eu clamo, e eu confio. Amém. Autor: Silvano Pontes. Amazonas em poesias.
No pensador.ai desde