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Frase de Adriana Sydor

lagarta e borboleta vontade de pedir perdão estender os olhos até onde meus pecados alcançaram e curvar-me pelos erros. sem penitência, só o perdão puro, simples, humílimo. perdão para o futuro espaço em que ainda dançarão animadas, sedutoras, malvistas, minhas imperfeições na primeira hora os erros se anunciam os insisto deixo-os que pulem transformem-se em ação estragos previstos e os outros. humana, pobre e fraca, humana. honesta, abro a cortina das deformidades. pouco sobra de mim remanesce figura frágil, simplória, quase nada. meu pior se faz em força que domo para transformar e validar a existência. tarefa difícil trabalho constante espelho nos olhos, defeitos cintilantes tentativa de metamorfose lagarta e borboleta. mas esse meu olhar e esse meu pesar, (a besta-fera que vive apesar de) não redime as culpas. saber não basta lutar não é suficiente. a tortura dos próprios tribunais… irrelevância, irrelevâncias. vontade de perdão. um perdão geral, um perdão eterno, um perdão sem muros. perdão-libertação. a absolvição fugiu de mim. ninguém, nem os mortos nem os feridos, ninguém me acaba ou me atormenta. calmaria é travesseiro. preciso do outro. indulto alheio fragilidade na mobília. em noites frias, o inferno é mais quente.

Adriana Sydor

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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troco cárcere privado por gafieira de sábado Ah! se eu te dissesse sim, tudo estaria resolvido: sem romance,
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troco cárcere privado por gafieira de sábado Ah! se eu te dissesse sim, tudo estaria resolvido: sem romance, frango assado aos domingos, escuridão à noite, clima familiar, nada de relance. Se eu colocasse o anel, tudo seria encaminhado: mudaríamos o recenseamento, humores às últimas conseqüências, contas a pagar, televisão e sofá, novo financiamento. Se eu caísse na sua, o problema seria outro: abertura de falência, horário não respeitado, visita da família, disputa pelo controle, falhas na jurisprudência. Ah! se eu vestisse o véu, a vida mudaria: férias em dezembro, prisão domiciliar, rotina ordinária, chá das cinco, sem primavera em setembro.

trem minhas malas estão prontas sei que não voltarei mais
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trem minhas malas estão prontas sei que não voltarei mais nunca mais. arrumei tudo, shampoo, escova e tamanco aquele vestido de borboletas e a bolsa azul. etiquetei a bagagem meu nome, meu sangue toda minha história e dois cadeados três cartas de lembrança e o velho anel. pesam muito minhas malas a vida inteira ali dentro mais a saia reta e o scarpin marrom dois amuletos, a fotografia dos meus pais e as anotações para o futuro. não voltarei mais nunca mais e levo na bagagem a certeza da vida que passou a camisa de gola rolê os cartões para colocar no correio e todas as esperanças. embarcarei no trem das oito as duas malas prontas a vida inacabada e a certeza que não voltarei não me falta nada carrego o creme para as mãos, a calça de botões dourados e o crucifixo no pescoço. na partida, nada ficará de mim não haverá traço, marca ou memória. passagem nas mãos os documentos guardados a coleção de lenços, o casaco de frio, a imagem do santo e a certeza que não voltarei mais. voarei livre e leve como se não tivesse comigo as partituras da nossa música a camisa verde de chiffon e a maquiagem provisória. levo tudo comigo as malas cheias de vestidos papeis antigos e um biscoito para o caminho e a certeza que não voltarei que não voltarei nunca mais.

estampas de solidão uma joaninha que pousa em folha ou um jogo de xícara e pires
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estampas de solidão uma joaninha que pousa em folha ou um jogo de xícara e pires uma mulher que entra no mar ou um envelope vazio uma taça, um vinho e um saca-rolha ou uma ilha pra cá do arco-íris como uma tarde de frio ou um vaso de cristal uma bola de sabão, um balão ou um longo e agudo assobio um sol depois do vendaval ou um observador que vê constelação como um barquinho em meio ao temporal ou um percurso de rio um momento de decisão ou uma cera sem pavio um retrato de funeral ou um violão vadio assim é a solidão e um texto sem final

marido se você agora puxar do bolso de dentro do paletó um livrinho com poemas de Bandeira
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marido se você agora puxar do bolso de dentro do paletó um livrinho com poemas de Bandeira ou um lenço, fios de linho, bordado com uma letra só se você me olhar bem fundo e mentir de brincadeira que sou eu aquela de quem não teme eterno nó... ou se me pintar, sem rascunho, com cores de nanquim se bem agora você passear por meus ouvidos com sussurros, gemidos e declarações sem fim eu te juro, bem agora, troco teu apelido, te faço marido e digo sim.