Frase de Adriana Sydor
lagarta e borboleta vontade de pedir perdão estender os olhos até onde meus pecados alcançaram e curvar-me pelos erros. sem penitência, só o perdão puro, simples, humílimo. perdão para o futuro espaço em que ainda dançarão animadas, sedutoras, malvistas, minhas imperfeições na primeira hora os erros se anunciam os insisto deixo-os que pulem transformem-se em ação estragos previstos e os outros. humana, pobre e fraca, humana. honesta, abro a cortina das deformidades. pouco sobra de mim remanesce figura frágil, simplória, quase nada. meu pior se faz em força que domo para transformar e validar a existência. tarefa difícil trabalho constante espelho nos olhos, defeitos cintilantes tentativa de metamorfose lagarta e borboleta. mas esse meu olhar e esse meu pesar, (a besta-fera que vive apesar de) não redime as culpas. saber não basta lutar não é suficiente. a tortura dos próprios tribunais… irrelevância, irrelevâncias. vontade de perdão. um perdão geral, um perdão eterno, um perdão sem muros. perdão-libertação. a absolvição fugiu de mim. ninguém, nem os mortos nem os feridos, ninguém me acaba ou me atormenta. calmaria é travesseiro. preciso do outro. indulto alheio fragilidade na mobília. em noites frias, o inferno é mais quente.
No pensador.ai desde