Frase de Evelyn Faheina
Cartografia do retorno O corpo reconhece o que a razão demora a admitir. Há cenas que apenas mudam de pele: outro rosto, outro endereço, outro cheiro, e, ainda assim, preservam intactas a mesma arquitetura silenciosa. Há pessoas que retornam vestidas com outros nomes: novas feições, significações e maneiras distintas de habitar o mundo, mas algo nelas permanece preso à antiga fissura da memória. Tudo parece diferente e tudo obedece a mesma órbita invisível. A boca resseca diante de despedidas já conhecidas e as mãos retornam a abrir portas já abertas. Mas chega um instante em que o pássaro reaprende o seu voo, atravessado pelo vento, pela perda, pela memória.. Suas asas já não batem do mesmo jeito e a repetição cede, aos poucos, lugar à experiência à implicação na direção do seu voo. Então o corpo aprende a não se ajoelhar no mesmo lugar de sempre e o medo desaprende o endereço da antiga casa. O amor — já não mais confundido como espelho — abandona a velha rima e a lembrança perde, lentamente, o comando secreto dos repetidos gestos.
No pensador.ai desde