Frase de Roberto Eduardo da Costa Macedo
OS PECADOS MORTAIS I SOBERBA Soberba, orgulho, vaidade, (chamam-lhe alguns presunção) é cheia de magestade, vazia de coração. Soberba tem grande pança, cara carrancuda e torta, Soberba, cheia de chança, de si apenas se importa. II AVAREZA Avareza tudo quer, se tem muito mais quer ter; Com a vista arregalada, Avareza não vê nada; Põe-se a ouvir, a escutar, e só ouve blasfemar; Arrecada noite e dia e acha sempre a arca vazia. III LUXÚRIA Luxúria desvergonhada, em impudica atitude, maneira a língua acerada a difamar a Virtude. Com rastejada paciência, e o seu fito principal é cativar a inocência, conduzi-la para o mal. Luxúria, filha infecunda da Mentira e do Pecado, saboreia a nódoa imunda, ama o chão enlameado. Pelas vielas impuras a Luxúria se conduz, mas sempre a horas escuras, sempre a escapar-se da luz. IV IRA Ira é atolada, tem um focinho ferino, grita por tudo e por nada, fala sem jeito e sem tino. O senso dela é um vime, a sua agulha um punhal afiado para o crime; tem cadastro criminal. V GULA Gula come, come, come, mas por vício, não por fome; de mastigar não descansa, nem que tenha cheia a pança; quando trata de entornar, então bebe até tombar; a mastigar e beber é que ela sabe viver; os seus dentes são os malhos e as digestões seus trabalhos; de seus feitos alardeia se se senta à mesa alheia; para comer do que gosta, sempre a comer vence a aposta; da Gula (cano de esgoto) é a palavra o arroto. VI INVEJA A Inveja é maldizente, a todos chama canalha; sua língua impenitente é verdadeira navalha; como nasceu torta e feia, tem rancor à Formosura, mas toda se pavoneia e sobrepô-la procura; até o próprio Talento ela despreza e odeia, porque todo o seu tormento é não achar uma ideia. VII PREGUIÇA Doença gera indolência e a indolência a doença; são da mesma parecença e são a mesma na essência. A preguiça não se lava, na porcaria vegeta; como o tempo a envergonhava, espatifou a ampulheta; é a viscosa minhoca, que se arrasta e mal caminha, para meter-se na toca ou no papo da galinha. Um dia, diz-lhe alma forte: - «Preguiça, qual o teu mal?» e ela, trágica e fatal, responde-lhe: - «pouca sorte».
Roberto Eduardo da Costa Macedo
No pensador.ai desde