Frase de Edgí Carvalho
(1989) Era dois de outubro de 1989 O sol levantou - se junto à bandeira colorida A medida em que ela era erguida A luta atingia um outro patamar Foice, facão, machado, e enxada na mão E o sonho de ver o alimento brotar da terra Levaram 120 familias a marchar Rumo a uma nova ocupação Homens, mulheres, idosos, crianças Nas mãos traziam bandeiras Que conduziam as fileiras Nos corações traziam esperança. Mais de nove mil hectares de terra Concentradas nas mãos de uma só pessoa É hoje então o assentamento Lisboa Também chamada de _"nossa terra"_. Quatro anos de acampamento E hoje quem ver toda essa estrutura A música, a poesia, a arte, a cultura Nem imagina o sofrimento A luta foi e é bastante sofrida Faltavam lonas, cobertor, remédios e até comida Energia, lá não tinha A ajunda, as vezes vinha Mas não conseguiu evitar Que o povo viesse a enterrar O corpo de um sem-terrinha. Agenor da Silva poderia Está agora jogando bola Ou escrevendo poesia Dispertando, por ai, rebeldia E não sendo nome de escola. Vinte e nove anos depois Quantas conquistas aqui tem! No chão aqui só pisava boi Hoje tem milho, mel, feijão e arroz Capim aqui não mais convém. Tem educação, ensino médio e fundamental Tem quadra, igreja, música boa e futebol É terra fértil banhada pelo sol Tem, bumba meu boi, capoeira, artesanato, carnaval Tem jovens cheios de utopia Tem atletas, poetas, e cantores Juntando forças com os trabalhadores E continuando a luta no dia - a- dia.
No pensador.ai desde