Frase de Gleice Priscila
A Arte de Conter Águas Na superfície, aprendi a ser leve, balanço embarcações, embalo olhares, finjo calmaria para quem passa. Mas abaixo do azul profundo há movimentos que não se explicam; correntes internas, em descompasso, se cruzam, procurando um ritmo que nunca chega. Lanço âncoras e as sustento por anos, algumas firmam, outras pesam. Nem sempre sei se me mantêm inteiro ou se me pedem silêncio demais. Para conter a superfície em equilíbrio, sustento ondas, absorvo impactos e recolho o que quebra. Há fúria no fundo, não em tempestades visíveis, mas em giros contínuos, em força que aprende a não transbordar. Ainda assim, sigo vasto, ensino caminhos, devolvo ecos e carrego vidas sobre mim. E às vezes, diante do horizonte, nem avanço, nem retorno, apenas existo, sentindo tudo o que me atravessa. Talvez seja isso ser oceano: sustentar o mundo enquanto aprende, sozinho, a não se desfazer em sal. E se for assim, quantos de nós aprendem a respirar em águas profundas?
No pensador.ai desde