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Frase de Luciano Calazans

ANÓDINAS O que sou? Sou um cão Um grão Um não Um tudo Um nada Nada é talvez Tudo é talvez Mal-passado Passado o mau Peço anódinas Quentes, frias, mal-passadas Mas que cheguem depressa Pois a depressão inútil e controversa Está aqui, latente Dentro de mim ou em forma de gente Cercando minha casa de palha Meu jardim de plumas Meu viver de sonhos. O que sou? Um fruto de um ventre Um soprar de um vento leste Uma ponta de icebergue Uma semibreve Preliminar de uma vida seca Linha torta desenhada pelo tempo Que caleja e que ensina Que somos o que não querem Que fomos o que queriam Seremos uma pergunta [sempre] Quem sou? A tépida face que gargalha A funesta sílaba de uma fala A sábia águia a voar Na vastidão de mil tormentos Em segundos, meses, momentos Que voam em uníssono Em diferentes cores e firmamentos O grão germina É da sua natureza Quem enxergar tal grandeza Há de ser sempre a tal águia A grandeza de um grão está em sua morte A grandeza do sim é suportar Um simples não Com ou sem anódinas Passado mau Leite derramado Mal-passado. Quem é você? O que é você? Outra luz a acender...

Luciano Calazans

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Pensador.com

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ANJOS E PÁSSAROS (soneto melódico) Não que me importe com a sua porta
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ANJOS E PÁSSAROS (soneto melódico) Não que me importe com a sua porta Aberta para outros portos Não que me importe com a sua vida Alheia ao meu inteiro dispor Não que me importe com meu segundo círculo Do meu inferno de antes Ainda ouço o canto da cotovia Estranho o canto do sabiá do forte E suas melodias sinuosas em plena Hora que o anjo também costuma Versar, cantar Amigos, Angelus, flores Mil melodias de cantos e prantos Numa saborosa agonia Espanto! Não que eu queira me antecipar Mas se a dor purifica a alma azul Peço às cotovias e sabiás Em forma de anjos Que cantem suas mis melodias Em cânones reverberados e retumbantes O sim O sim O sim Desejo este atendido Pelas singelas aves-anjos Aos que penam no segundo inferno Não que seja o recomeço Mas ouvi os anjos a cantar Não sofras coração maculado Não! Não! As portas estão abertas e o que está atrás delas também. Não que me importe por alguns momentos me calar. Quem sou eu para com quimeras Desafiar os cantos dos anjos, cotovias e sabiás?

E ENTÃO… Então me vi sem norte Sem porte
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E ENTÃO… Então me vi sem norte Sem porte Sem porto Ambíguo e quase menos vivo Então ouvi seus olhos Cheirei tua boca Afaguei teu sorriso Beijei sua nuvem Então sorri teu pranto Uma vida chegando Duas estrelas, um ventre Fecundo e tenaz Então cataclismas - breve torpor de nossas almas. Então movimentos Circulares Círculos de Plotino Círculos de Hipátia Círculos de Dante Universo ensimesmado Infindáveis questionamentos... Não caíste em desmantelo Naquele ano do nosso senhor - tempo Que o vento não levou e brisa sorridente Nos gracious com choros enfantes sem dentes Então chorei teu sorriso Reguei seu jardim Então a luz chegou Poderosa e ofuscante Então sorrimos o choro...

IN-SONE Insônia Única companheira que chamo também
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IN-SONE Insônia Única companheira que chamo também De refúgio da criação Invólucro dos pesares Caixa de Pandora aberta Em um eterno-efêmero momento de solidão O estar perto e longe do firmamento particular Uma algoz que atormenta o tormento Uma sombra iluminada por idéias que se misturam Em um liqüidificador de sons imaginários e reais ou solidificador de imagens de sons. Vêm me buscar quando não preciso Me abandona quando o sim encontra o não Paredes e arrebóis carregados de uma leve frustração De quem quer o que tem e não pode ter o que quer Penso! Penso! Penso... Criação? Às vezes não. A respiração predadora da alma inquieta Não levanta sua flâmula, seu pendão branco. E resta-me a réstia de um novo amanhecer.