Frase de Luis Mateus
Naveguei demais... Sei de uma pessoa E essa pessoa sou eu, Que em mares de lágrimas, vezes demais se perdeu. Foram demais os desembarcadouros e cais Onde pouco me dei e amei E nos quais Morri vezes demais! E antes que morra de vez A matar a sede em água salgada, Queria um mar de rosas, não de estupidez! Eu sou o mar, marujo de vocação e sem medos tais, Que embarquei em começos e finais Demais... Cheirei maresias, mágoas e horas incertas, Estive sempre aos meios-dias em praias opostas e múltiplas costas, Sempre vazias... Vacilei demais, remei demais, subtraí-me. Fui, da minha conta, de menos e demais. Naveguei muito além dela... Perdoei tempestades e temporais, Ignorei faróis, piratas, intuições e punhais, Sempre demais... Naveguei mares, rios, riachos e até lagunas. Algumas foram lições, outras alunas Demais... Porque o mar não têm terra, só imensidão e gaivotas no ar, Porque o rio lá vai como a lua, devagar E o mar... O mar é revolto, tem um cabo bojador e frio E margens do rio São fáceis de ancorar... Acreditei Que não havia peso no verbo acreditar E que podia haver terra no mar! Deve ser esta a minha sina, Carregar coisas pesadas e lamber águas salgadas... Tantas gotas no oceano e nenhuma é doce! Ó mar salgado, porque não vieste adoçado? Só que água doce Não é o mar que a traz... Em que luares voam passarinhos? Em que rios estão ninhos a crescer? Em qual das luas acreditar? Na do céu ou na do mar? Por isso te peço amor: Não me vás além mar, equivocada, tentar encontrar! E se mesmo assim, teimosa, me achares, Devolve-me... Porque me havia de calhar Tão grande mar pra navegar? E salgado ainda por cima...
No pensador.ai desde