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Frase de GabrieldeArruda

Há algo de impreciso no começo das coisas como se o mundo hesitasse antes de permitir que existam foi assim quando ela falou e não era o que dizia era o modo como o tempo cedia se organizando ao redor da sua voz como se, por instantes, viver fosse apenas escutar segurei sua mão com o cuidado inútil de quem testa o real como se o toque bastasse contra todas as dúvidas não bastava mas houve um intervalo em que isso deixou de importar o abraço dela não me acolheu me suspendeu como se o corpo, enfim, esquecesse a necessidade de se defender e então o balanço subíamos não o suficiente para escapar mas o bastante para esquecer o peso o chão permanecia — paciente como tudo que é inevitável o céu, distante como tudo que chama entre um e outro havia um erro breve no mundo onde nada exigia conclusão ríamos com uma leve irresponsabilidade como se a queda fosse improvável e não certa penso nela e o pensamento não repousa me desloca como o balanço que não pertence ao alto nem ao baixo mas a esse entre onde tudo se sustenta por um instante e nada promete ficar há um medo quase silencioso de ser apenas isso o intervalo enquanto o outro talvez espere algo mais firme mais inteiro mais digno de permanecer ainda assim há esse impulso de voltar ao ar não por coragem mas por uma espécie de esquecimento do chão e, por um instante, olhar para cima parece suficiente

GabrieldeArruda

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Santo Deus, por que me abandonaste? Que atrocidade é essa, essa tortura insuportável que me arrasta para o abismo? Não temo o inferno, não! Já sou um com ele, já o sinto queimando minhas entranhas, corroendo-me até o último suspiro! A desesperança me devora como um monstro famint…
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Santo Deus, por que me abandonaste? Que atrocidade é essa, essa tortura insuportável que me arrasta para o abismo? Não temo o inferno, não! Já sou um com ele, já o sinto queimando minhas entranhas, corroendo-me até o último suspiro! A desesperança me devora como um monstro faminto, e a solidão, fria e implacável, me arrasta para o fundo, sem piedade, sem fim.

Herança maldita de uma alma colonizada, o brasileiro, filho do latifúndio cultural, trocou o libré do barão, que fingia a classe francesa no salão de visitas, pelo jeans rotoso do cowboy ianque na tela do celular. Se antes ele engoliu, sem digerir, o luxo de Versalhes, hoje mast…
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Herança maldita de uma alma colonizada, o brasileiro, filho do latifúndio cultural, trocou o libré do barão, que fingia a classe francesa no salão de visitas, pelo jeans rotoso do cowboy ianque na tela do celular. Se antes ele engoliu, sem digerir, o luxo de Versalhes, hoje mastiga, sem paladar, o fast-food de Hollywood. Nesse pandareco tropical, onde a identidade é falsa e vestida como fantasia de outlet, onde o samba de raiz é embalado em plástico-bolha digital pra ser entregue como experiência cultural, e o forró virou trilha sonora de app de delivery, tudo é branding, tudo é pitch, tudo é mindset. O gerente se chama leader, o chefe virou head, e até o cafezinho foi promovido a coffee break. Em vez de ideias, fazem brainstorm. É tanta sigla em inglês que o trabalhador já esqueceu como se pede um aumento em português. E nesse co-working de muros baixos e inglês improvisado, confunde-se exploração com oportunidade, e subordinação com sofisticação.