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Frase de Antero de Quental

Divina Comédia Erguendo os braços para o céu distante E apostrofando os deuses invisíveis, Os homens clamam: — «Deuses impassíveis, A quem serve o destino triunfante, Porque é que nos criastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inestinguíveis, Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis, N'um turbilhão cruel e delirante... Pois não era melhor na paz clemente Do nada e do que ainda não existe, Ter ficado a dormir eternamente? Porque é que para a dor nos evocastes?» Mas os deuses, com voz inda mais triste, Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»

Antero de Quental

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Meus dias vão correndo vagarosos, Sem prazer e sem dor parece Que o foco interior já desfalece E vacila com raios duvidosos. É bela a vida e os anos são formosos, E nunca ao peito amante o amor falece... Mas, se a beleza aqui nos aparece, Logo outra lembra de mais puros gozos. A outros céus aspira: Se um momento a prendeu mortal beleza, É pela eterna pátria que suspira... Porém, do pressentir dá-ma a certeza, Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira, Eu sempre bendirei esta tristeza!

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Ideal Aquela que eu adoro não é feita de lírios nem de rosas purpurinas, não tem as formas lânguidas, divinas, da antiga Vênus de cintura estreita. Não é a Circe, cuja mão suspeita compõe filtros mortais entre ruínas, nem a Amazona, que se agarra às crinas dum corcel e combate satisfeita. A mim mesmo pergunto, e não atino com o nome que dê a essa visão que ora amostra ora esconde o meu destino. É como uma miragem que entrevejo Ideal, que nasceu na solidão, Nuvem, sonho impalpável do Desejo...