Frase de Rosangela Calza
Vidas de monges Indecisamente não me decido... não me defino... não delibero. O que pensar? Adormecer, não mais acordar. Nos braços de Orfeu, eternamente me deixar ficar. Fechar os olhos... cerrar a consciência... não ver o tempo passar. O que pensar deste mundo louco... Está se desfazendo pouco a pouco. Estradas desregradas... não sinalizadas. Ruas sem saída. Becos de escuridão. Portões fechados. Casas com muros altos totalmente cercadas. Não sei o que pensar. Tenho medo... um frio percorre minha espinha... Quase me desespero. Nem sei mais se está certo o que quero... meus sonhos almejo rapidamente deles me esquecer. Tenho abrandado os meus quereres. Pra diminuir ao máximo o meu sofrer. Tenho sentido que não há mais muito sentido... na vida, nos sonhos, no acordar todo dia e no adormecer quando o sol acabou seu trabalho fazer. Esta vida!? Por que se está a viver? Afastamo-nos bruscamente. Apartamo-nos completamente. Nada de abraços... nem apertos de mãos... Trancamo-nos em nós mesmos. Construímos redomas de vidro. Camuflamo-nos em lúgubres poesias. Invejamos as sombras que esbarram em nós sem nenhuma ostentação. Ignoramos as batidas aceleradas do nosso coração. Sempre... e apenas... Um aceno de longe. Vivemos vidas de monges.
No pensador.ai desde