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Frase de Saulo Nascimentto

⁠Nella città III - A cor da carne Há dores que nascem antes do grito. Não do corpo, oráculo por vezes calado, nem da alma, que cedo se curva ao pranto. Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio, antes mesmo de saber-se ser. Nasce, então, a dor sem nome, antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua. É o peso de um tom que destoa, aviltado pela violência do olhar. A cor da carne, que não é da alma, não é identidade, mas adorno passageiro — incompreendido por olhos de cárcere, que desferem o açoite mudo da ignorância, a face vertida. Vê: a cor sublinha o corpo, e não pede perdão pelo que é. Aqueles que esperam que a cor se renda não entendem o enigma da pele — nua, que nenhuma voz pode enunciar.

Saulo Nascimentto

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Pensador.com

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Fragmento VI - Violência simbólica Peço-te, mostra-me como ter-te em liberdade. Dou-te a boca, e não me chamas pelo nome. Tiro-te o chão, logo começas a gritar. E se teu grito é liberdade, por quem clamais? Cala o teu brado, pois não há quem desperte. Já não adianta reconhecer tais desequilíbrios. De ato para si e ficção para o outro. Tal a tirania do teu beijo e a ironia da tua face.

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⁠Fragmento I - Ankou Um vulto indistinto, entre outros vultos distantes. Não houve um tempo em que ele era, não houve sequer um instante. Os outros deixam para trás seus sonhos, desejos e deveres, seus inconstantes. Ele, porém, em seu sadismo divino, ínsito na própria penumbra, flutua, do nascimento ao desaparecimento, protegido no seio da imortalidade. Saulo Nascimentto

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⁠Fragmento II - O canto do fim Estrelas descem e atiçam a chama violeta. Cães da virulenta coletividade conduzem os que anseiam, imprudentemente, o devir dos insaciáveis. Assim, os infortúnios que favorecem os excluídos, são as bem-aventuranças da individualidade desperta. Saulo Nascimentto