Frase de Saulo Nascimentto
Nella città III - A cor da carne Há dores que nascem antes do grito. Não do corpo, oráculo por vezes calado, nem da alma, que cedo se curva ao pranto. Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio, antes mesmo de saber-se ser. Nasce, então, a dor sem nome, antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua. É o peso de um tom que destoa, aviltado pela violência do olhar. A cor da carne, que não é da alma, não é identidade, mas adorno passageiro — incompreendido por olhos de cárcere, que desferem o açoite mudo da ignorância, a face vertida. Vê: a cor sublinha o corpo, e não pede perdão pelo que é. Aqueles que esperam que a cor se renda não entendem o enigma da pele — nua, que nenhuma voz pode enunciar.
No pensador.ai desde