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Frase de Evan do carmo

⁠"Quando quiseres me levar" Ele acordou com um gosto metálico na boca e uma lucidez que parecia milenar. Sabia. Não era intuição. Era certeza. Hoje, a Morte viria. E ele, cansado, não a temia. Ajeitou os papéis sobre a mesa, acendeu um cigarro que não fumava havia dez anos, e pôs uma música quase inaudível no velho toca-fitas. Era Chopin, talvez. Ou só o vento. Deixou as janelas abertas. Queria que ela entrasse à vontade. Morte. Senhora. Fera. Fêmea. Ela que viesse — sem cerimônias. No papel, começou a escrever, como quem fura o véu do mundo com uma agulha de fogo: “Quando quiseres me levar, irei sorrindo. Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade. Sei que poeta não deve demorar muito por aqui. Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico. Como palavra muda, impronunciável. Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.” Fez uma pausa. O silêncio da casa parecia escutar. A xícara de café esfriava devagar. Lá fora, o mundo seguia: os cães latiam, os pneus assobiavam no asfalto, alguém batia panela no apartamento ao lado. Mas ele já não pertencia a isso. Levantou-se. Pegou o espelho da infância — aquele que pertencia à mãe — e olhou-se como quem vê um estrangeiro. “É você mesmo?”, pensou. “Ou o que restou do que chamaram de você?” Não chorou. Apenas fechou os olhos. Lembrou de um amor antigo. De um poema que nunca publicou. De uma criança que lhe sorriu na rua, semanas atrás. Cada coisa lhe parecia uma despedida disfarçada. Às onze e quarenta e cinco da noite, ela veio. Não como figura. Não como caveira. Apenas entrou no ar. Como frio. Como verdade. Ele sentiu. Sorriu. E sem mais palavras, morreu de olhos abertos, como quem enfim compreende — ou perdoa. Na folha, sua letra deslizava até o rodapé da página. E ali, como se deixasse ao mundo uma última gargalhada filosófica, escreveu: "Criamos o infinito com medo do fim. Chamamos de eternidade o que não suportamos perder."

Evan do carmo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Evan do carmo

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⁠ Musa de Apolo Com estas palavras, manifesto a minha dedicação e admiração por ti, ó musa inspiradora. Mesmo quando penso que não há espaço para a poesia em meu coração, tua presença intensa e marcante me arrebata e me faz desejar expressar em versos todo o encanto que tu desp…
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⁠ Musa de Apolo Com estas palavras, manifesto a minha dedicação e admiração por ti, ó musa inspiradora. Mesmo quando penso que não há espaço para a poesia em meu coração, tua presença intensa e marcante me arrebata e me faz desejar expressar em versos todo o encanto que tu despertas em mim. Tu és tão bela e enigmática quanto as deusas gregas, que inspiravam os poetas da antiguidade. Sempre que te observo, sinto-me pequeno diante de tua grandeza e beleza. És como uma medula óssea que sustenta e anima todo o meu ser, me levando a novas descobertas e horizontes. Tu és a costela mitológica de Deus, que me faz acreditar na existência de um plano superior que governa os rumos da vida. Tu és uma mulher inconformada, que se recusa a ser reduzida a estereótipos e padrões, e que se afirma em sua essência humana, carregando consigo o calor e a fragilidade que nos tornam tão singulares. Tu és, enfim, a personificação da poesia em sua mais alta expressão. Não se pode falar de poesia sem falar de ti, sem evocar tua imagem delicada e vibrante, que transcende os limites do tempo e do espaço. És a musa de Apolo, cujo canto e beleza inspiram a todos os que te contemplam. Por tudo isso, quero dedicar esta tese a ti, ó minha musa inspiradora. Que minhas palavras possam ser tão belas e intensas quanto a tua presença em minha vida, e que possam expressar todo o meu amor e admiração por ti. Pois tu és a fonte de minha poesia, a razão de minha existência, e a inspiração que me move sempre em direção aos mais altos vôos do espírito.

⁠O que fez o amor Vejam só vocês O que o amor nos fez
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⁠O que fez o amor Vejam só vocês O que o amor nos fez Venceu a batalha de uma só vez A lua e o sol Ele aproximou A noite do dia Inventou histórias Cântico de vitória Versos, poesia Quem supor poderia Que dois seres distintos Em algum instante Se encontrariam Num mesmo caminho Como dois amantes Juntos seguiriam? O amor venceu O medo de sofrer Mudou eu, modou você Nos deu de presente a fantasia Nos fez o milagre De crer no amanhã Vivermos no afã De tanto querer Viver mais um dia.