Frase de Sebastião Santos Silva
CULTURA EXTINTA Durante a escravidão fazia cerca de pedra; carregava pedra pesada que nem trator arreda. Fazia cerca de madeira, tão junta, que chega veda. Fazia casa de enchimento, dormia em cama de jirau, cobria casa com palha ou com casca de pau, fechava porta com vara, rezava pra livrar do mau. Dormia em couro de boi ou em colchão de palha, bebia água de cabaça ou de pote numa galha, cozinhava em panela de barro e fazia renda sem uma falha. Antigamente não tinha carro, Iam pra São Paulo a pé. Iam à Lapa de pau de arara ou caminhando pela fé. Comia farinha com rapadura, pagava promessa e cheirava rapé. O gado era criado solto, vaqueiro tocava boiada, passar perto de arco-íris tinha sexualidade trocada, acreditava em superstição, a mulher vivia confinada. Dançava forró de sanfona, fiava linha pra tecer, cantava cantiga de roda, fazia penitência pra chover, jejuava na Sexta-Feira Santa e dava da comida pra peixe comer. Moça tinha que casar virgem, senão ninguém queria ela. Se galo cantasse fora de hora, tinha rapaz raptando donzela. O pai escolhia o noivo da filha, e na última, quebrava a panela. No outro dia da fogueira, rodava a cinza com coroa. Fazia simpatia pra saber se as águas seria boa. Fazia compadre e batizado; e apagava o fogo com garoa. Usava pedir a benção, tinha confissão de pecado, fazia muito benzimento, mulher quebrava resguardo, mascava fumo e pitava cachimbo, havia arataca e mundéu armado. A cultura mudou muito com a chegada da televisão. Em Urandi começou na praça com Diógenes, na sua gestão. Ficava na parede da prefeitura e o povo sentava até no chão.
No pensador.ai desde