Frase de André Vilela Filho
VOO DE SILÊNCIO Fico a pensar e tudo ecoa em pedras Pedras que são poesia sólidas, de líquida dureza. Então o amor derrete em duro líquido. Minha mão não traça mais versos de amor, que antes vazavam do peito e tomavam tua alma, tua alma com letras tristes. Hoje, embora tristes Não vibram para alcançar teus ouvidos que eram violados e possuídos pela minha língua, antes de possuir teu corpo A flor nasceu sem perfumes, Pois foi picada por répteis com asas feitas de pedaços de pântanos. Suas pétalas caem em pó que cobre meu rosto e cega meus olhos. Vivo na sombra que me produz em gesso. A tenho moldada na brisa da manhã do orvalho frio onde a relva benze meus pés, pés que comem as distâncias. Busco teu rosto na distância dos trovões que pousam nos campos agarrados ao vento tocando o lábio da noite. Os gritos da escuridão estremecem o cheiro úmido do chão, mas a morte persiste transpassando os dias. Minha língua não tem paladar e a tristeza é não poder mostrar-te o campo após a chuva cálida mas apenas dar-te a dor de um punhado de argila para dissolver n`água. Colheria areia do céu Para escorrer entre teus dedos. O clarão ao iluminá-la Não diminui minha tristeza. Escuto as fontes frescas que cantam moldando sua passagem entre canteiros de margaridas. Os pombos brancos Perdidos entre nuvens Num lençol tingido de vermelho. Aqui está a mão lançada no crepúsculo Não consigo alcança-la Tarde! Tarde eterna! Sem revoada de pardais, sem o sol se por, sem luz e sem sombra. O tempo acabou e a espera continua acreditando poder enfeitá-la de amor. Um amor que insiste em perfumar a eternidade. Não sofra se minhas lágrimas deitar sobre teus seios. É assim que nós dois fizemos nossos caminhos por entre pedras e flores. Hoje resolvi busca-la, não para aproximar-me do teu corpo, mas para percebê-la no pulsar dos corações que habitam num único peito. Aprender a lição de pouco chorar e muito sofrer. Um voo de silêncio levando-me em passeio pelo mundo de sonho, um sonho de corpos, entrelaçando de imensidão. Desejos diversos, desejo que não acabam e existem nas lembranças do teu corpo entregue as minhas mãos imundas que tingem de pardo a brancura do teu ventre. Mas o sono desfez-se E restam os fantasmas. Vejo que os sonhos não são meus, porque a noite os levam os dissolvem e os destroem. Uma estrela acaba de deixar o firmamento e a escuridão se faz maior como um imenso sepulcro. Eu sou pedaço Para estar aqui e ali, Tenho salvação dividido. Estou livre e preso E vou esquecendo do nome, Atravessando o jardim Repleto de suas flores.
No pensador.ai desde