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Frase de Castelo Hanssen

⁠JORNADA Eis-me aqui, o que restou de mim depois de uma jornada de trabalho, Um resto de pessoa, um rebotalho, cansado e consumido pelo dia. Eis-me aqui, tal como sou, poeta, sem tempo de viver e sem poesia, cansado de fabricar imagens falsas na busca pelo pão de cada dia. Eis-me aqui, tal como sou, um trapo, me coma, me consuma, consumido, Vamos juntar nós dois nossos fracassos, Ajunte o seu cansaço ao meu cansaço, Que sou teu, comprovado e assumido. Vamos fazer da noite o nosso dia, O nosso mundo, a nossa fantasia, A nossa fuga, a forma de viver. Vamos viver a noite, lado a lado, Idéias, mentes, corpos abraçados, Porque amanhã o sol há de nascer (in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )

Castelo Hanssen

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS É noite, e tudo é mentira As poças d'água na rua
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⁠É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS É noite, e tudo é mentira As poças d'água na rua enganam os pés incautos, o assobio engana o medo dos fantasmas e dos fatos. É noite,os gatos são pardos... Os muros todos escondem ladrões e policiais, as amizades escondem os "dedos-duros" fatais. A noite já foi suave, já foi ternura,seresta, namoro,luar e festa, conversa,banco;quintal, mas,nesta noite de medo, a gente nunca distingue qual é o amigo sincero, qual é o amor verdadeiro, e qual a flor cujo cheiro não é tóxico ou mortal. As palavras são sussurros, - as paredes têm ouvidos - as verdades são traiçoeiras, os amigos são temidos. Quem fala palavras boas pode ser falso ou vendido, quem grita está insuflando, quem cala está consentindo..

⁠POEMA CACHAÇA Eu queria fazer uma poesia que fosse cristalina como o dia
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⁠POEMA CACHAÇA Eu queria fazer uma poesia que fosse cristalina como o dia para ser consumida como o pão Uma poesia assim agridoce como a fruta do mato, pura como a água do regato melodiosa como uma canção. Uma poesia assim, que trouxesse beleza em cada rima, para ser cantada no trabalho, para ser batucada nas marmitas, para ser comentada nas esquinas. Uma poesia assim comum e popular, como a cachaça, que se bebe barato, que é de graça, que é do pobre, do rico, do sem nome. Uma poesia que todos entendessem, como todos entendem a palavra amor, ou a palavra fome.