Frase de Juliana Umbelino
[sem título] manhãs sem plateia também contam. há um intervalo entre acordar e obedecer onde ainda não se é função, nem imagem, nem ideia mastigada de beleza. apenas corpo e respiração. o que vem depois disso é o que sustenta. não o que produziu, entregou, agradou. mas o que silenciou o impulso de se esconder no que já deu certo. há dias em que o silêncio fede. há dias em que a sombra pesa mais que o vestido. há dias em que nada encaixa. e ainda assim, não se grita. não se implode. não se performa dor. apenas se insiste. não por heroísmo. mas por uma espécie de pacto secreto com o próprio eixo. o mundo não aplaude quem não cede ao papel. mas existe um tipo de vitória que não sobe em palco: aquela que acontece quando o salto aperta e, em vez de sorrir pra foto, opta-se por tirar o sapato. ninguém repara, mas é ali que mora a liberdade. no não contar. no não provar. no gesto pequeno de sair do personagem sem pedir desculpa à narrativa. não é sobre força. é sobre não fingir mais leveza onde se carrega concreto. é sobre sentar-se reta na cadeira sem torcer o corpo pra parecer menor. é sobre encarar o espelho e não ver projeto, nem fracasso, só estrutura. quando isso acontece, quando já não se quer ser preferida, escolhida, notada quando já não se mede valor pelo reflexo quando não se escreve mais pra ser entendida mas pra não adoecer.. então sim: há paz. não como prêmio. como consequência. Juliana Umbelino
No pensador.ai desde