Frase de silvano Eising
A Dor Que Não Tem Nome Acordo e já estou cansado, como se viver fosse um fardo antigo. Cada dia pesa dobrado, e eu sigo — mas nunca sigo comigo. O espelho não me reconhece, me olha com pena, com nojo, talvez. Meu corpo é só o que permanece de alguém que já morreu mais de uma vez. As vozes aqui dentro gritam, mas ninguém do lado de fora ouve. Sorrisos forçados imitam uma vida que há muito não coube. Tem dias que o ar parece ferro, e cada passo é um crime lento. O mundo gira, eu me enterro mais fundo em meu próprio tormento. A comida não tem mais gosto, a música me dá desgosto. O toque é como espinho exposto, e o futuro... é um céu sem rosto. Já tentei pedir socorro em olhares, palavras, mensagens. Mas tudo soa tão oco e torto, como gritar em paisagens selvagens. E o pior não é querer morrer — é não conseguir mais querer viver. É ser um corpo que existe por hábito, um suspiro vazio, um peso estático. Se um dia eu sumir, não estranhe. Foi só a dor que me venceu sem barulho. A tristeza é uma água que banha até que a alma se afogue no entulho.
No pensador.ai desde