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Frase de Andrê Gazineu

Simplesmente qualificar seu pensamento baseado em uma "mitologia poderosa" no sentido de que seria a invenção fantástica de um grande intelectual não cola. Não serve como a verdadeira sabedoria. Como Ran costuma afogar marinheiros em honras a Aegir impressionando suas nove filhas. Ou puramente porque gostava de afogar pessoas. Onde está toda aquela sagacidade? Para onde foi toda a imaginação, criatividade, talento para explorar as analogias, inteligência e astúcia? Presa nos mitos e ritos, mas não há sabedoria. Não há erva de Jurema. Não há paz espiritual. Não há manifestação sensorial. Não há mistério em que se dissolver. Não há coerência ou veracidade secular. Não há lontras para alimentar com ouro. Irmão, onde me buscarás? Não estou em mitos, tempos, seitas ou na Casa do Senhor. Irmão, a renúncia, a negação sopra por todos os sopros. Livra-te de superstições normais , neuroses e ansiedade patológica, psicossociais. Temos um dever moral contra a natureza adquirida, ou a acordada da condição de normalidade de Gauss em si, onde reside a verdadeira patologia. Só queria ensinar alguém a pensar, livrá-lo de preconceitos, para fornecê-lo com esta clareza mental e paz espiritual, e assim, alterar automaticamente a sua vida a si mesmo, sempre no sentido de uma maior consciência. Irmão, esperais pelos ventos por que no vento há vida. Enquanto estiveres só, nos ventos reside a libertação.

Andrê Gazineu

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Pensador.com

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Arcano O tronco tortuoso tinha casca lisa que descamava em placas finíssimas Folhas delicadamente discolores formavam uma copa tímida, mas persistente Que se ornará duma frutescência única Vi flores tão solitárias florescendo em junho... No nascer do sol O cheiro da seiva vertendo no floema A umidade no ar carregado A calmaria predizendo o último dia de vida O silêncio arrebentava-se na atmosfera Irrompendo furioso no espaço conquistado Perdendo-se no lado escuro da alma vazia Demônios vestidos de sangue brincam na mata Sorrindo por uma nova estação enlevada Soprando injúrias no vento Porque é preciso morrer Porque é preciso descer ao mundo inferior pelo terceiro caminho pronunciando o nome do inominável

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Olhando pela janela, vejo o sol incidindo Derrama luz na estante, no relógio, na maçaneta Na ampla sala vazia de cor A mesa está posta Toalha branca, límpida, ingênua Pratos limpos, panos largos, pães, leite Não há ninguém à mesa Há o silêncio, o abandono, o não ser Rastros invisíveis, sombras do vácuo Tudo passa despercebido e nada é nunca lembrado É a transmutação do tempo A natureza sendo absorvida para que minha sala nunca envelheça Para que seja embriagada no meu próprio passado A pergunta involuntária sem resposta Provei à cereja ácida Provei a angústia do momento em que nasci O início, o vazio, a quitina negra do ferrão O ponto letárgico onde a alma encontra barreiras tão obscuras... E não pude seguir adiante Dissoluto no fundo da morte encontrei teu viço jovem, infantil, puro Entendi o que é a paz; essa alegria distraída de viver este sopro macio no campo Um rubor na face macilenta Um instante estúpido contigo Eu esperarei por ti na vida, na morte, na distância No delírio da febre, na tristeza do pranto nas noites frias, nas minhas pálpebras fechadas Nas águas turvas do meu sono Sufocado no escuro, enlaçado na calada Sentei-me no chão ouvindo o ruído do nada Do sangue ascórbico corroendo faminto Do coração pulsando agudo por instinto Nega-te o alimento, o sustento diário [nega-te a vida Acostuma teu nome ao sinistro obituário Roga-te a praga, converte-te em semente E da moléstia, forma-te o carpelo de um mundo inconsolável e belo, doses excessivas duma fome demente E não há mais miséria na aguardente Nem pudor nas faces coradas Os braços rasgados de cercas farpadas O grito à ânsia, o fruto à serpente