Frase de Carlos Alberto Rodrigues Alves
SOBRE O CHORINHO , MEU AVÔ E EU O meu avô era um chorão. Para quem não sabe, chorão é tocador de chorinho, esse gênero musical genuinamente brasileiro. Herdei geneticamente de meu avô, a quem não conheci pessoalmente, um carinho especial pelo “Brasileirinho”, pelo “Assanhado”, pelas “Noites cariocas”, pelo “Carinhoso” e por tantas outras peças geniais. Aliás, até me arrisco de vez em quando e humildemente, a tocar essas músicas. Já disserem que o nosso chorinho equivale, em riqueza musical , ao Jazz de Nova Orleans. Discordo! É bem superior! Tanto na melodia, quanto no ritmo e na harmonia! Isso, sem contar as letras que sempre tem o toque do romantismo, da sátira e da alegria que só o brasileiro tem. Coisas que só um chorão pode entender... ! Voltando a meu avô, sei pelo meu pai, que ele foi para o interior paulista afim de fugir da polícia getulista. Lá ele ajudou espalhar , com seu regional e com seu virtuosismo, as variações-da-beleza e os improvisos-entusiasmadores de seu cavaquinho. Passados mais de sessenta anos esse seu neto-da-resistência-cultural, também vive fugindo de outra polícia, a do comando-de-caça-aos-hereges. Mas aí eu não fico triste não!... Ao contrário, evoco o choro mais alegre de Waldir Azevedo: O brasileiro quando é do choro É entusiasmado quando cai no samba, Não fica abafado e é um desacato Quando chega no salão. Não há quem possa resistir Quando o chorinho brasileiro faz sentir, Ainda mais de cavaquinho, Com um pandeiro e um violão Na marcação. Para Giovani e Kauan, meus filhos...amáveis chorões.
Carlos Alberto Rodrigues Alves
No pensador.ai desde