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Frase de Rafael Chiobatto

Vou me largar pra fronteira! Sentir o cheiro do que é meu. Recarregar minha guaiaca de "grussuras" E matar a saudade de quem sou eu! Quando volto pra querência; Sinto de novo a essência, Daquilo que já fui. Lembro até da minha fala, Pausada, e misturada. Com palavras dos paisanos Que trazem os orelhanos, Embaralhando, versos pampeanos Com cúmbias, em ritual. Me sinto de novo bagual; Como se nunca tivesse o buçal Da cidade, me domado. O minuano é meu regalo, Por ter voltado pra casa. Assobiando uma vaneira; Trazendo o cheiro de chirca Que guardarei pra mais uma temporada Sem voltar pra minha morada Perdido pelo mundão... Lembro dos tempos de liberdade Uma cachorrada barbaridade Que eu mantinha de esquadrão Pitoco, bolinha, bocão! Eram todos batizados... Cada um com servidão: Uns pra mulita, outros de ratão Tava sempre preparado O meu fiel batalhão. Saia de manhã lá pro morro da antena Passava o dia inventando peleias E lidas que de verdade, só tinha os "grito" No mais, era coisa de piazito Que não tinha ocupação... Só em dia de vento que não! Vento quente, que embaraça os cabelo Te resguarda e cuida o pelo; Que hoje é dia de cruzeira! Me dizia a conselheira, A velha vó, missioneira; Que de tudo tinha formação. Podia perguntar sem receio! Na tampa e sem floreio Ela vinha com a verdade, De tudo sabia a utilidade; E pra cada pergunta, Uma explicação! De engenheiro e doutor De peão a vagabundo, Ela tinha o mesmo segundo, pra avaliar o valor... Pra tudo isto que retorno, De tempo em tempo a resgatar Vou buscar aquele piá Que um dia sonhador, pensou em ser "viajador" E agora vive pra sonhar... Mas preciso sempre lembrar; Que tenho um poso, neste lugar. Onde sou: aquilo que sou.

Rafael Chiobatto

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Pensador.com

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Ao invéz de encarar com seriedade; Prefiro um olhar sereno e com infantilidade. Aos vários tons de cinza que me apresentam Trago-lhes Carlos Drumond de Andrade... Sempre ao engôdo, prefiro a verdade. Somente no amor, uma gota, apenas uma Da mais inocente maldade.

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Notívagos! Aqueles que preferem viver a noite... Sim, noturnos criadores irreverentes; Qual vampiros, sedutores inerentes Nas madrugadas ouvindo sonhos. Transfigurando desejos obscuros Em seus sambas e cordéis; Versos e prosas em papéis Que por vezes ficam na mesa De um boteco, abandonados. O que mais vale é o pensado! Ter vivido ou inspirado Isso sim que é viver, Boêmia, direito de ser Daqueles que vagam a noite. Ganhando mais espinhos e açoite Do que lírios, a colher.

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Que no novo ano, tenhamos mais esperança em nós mesmos! que não seja um ano diferente, que diferente sejamos nós diante dos dias que surgirem; diante dos desafios e até mesmo diante das trivialidades! triste daquele que não tem sonhos e que espera que as coisas mudem de fora pra dentro! que as mudanças comessem!! de mim para o mundo...

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Tronco seco a espera do fogo. Cambona retinta de picumã, Barulho de chuva na telha; E ao longe escuto o tarrã... Contrabandeando existência. Trocando querência; Conforme a vontade. Mesmo assim com identidade Lá ou aqui: sempre tarrã! Me pergunto se podemos Apesar de diferenças Esquecer maledicências E viver com igualdade; Tanta raiva e maldade: "Paremo" com este bochincho! E tanta peleia por nada; Criança e velha chorando E os piá se extraviando Sem saber de namoro Tanto lamento e choro Por aqueles que se vão Se o chão, é o mesmo chão Que plantem e colham então! Ao invés de guerrilhar Pais e filhos a matar, Sem ter a solução Parecendo estância sem patrão Com herdeiros por chegar...