Frase de Ricardo Maria Louro
Inscrição Duvidosa - Sinto a Alma triste, embriagada de um balsamo tenso e sem vida, minha vida ao tormento vai rasgada, vai oculta, rasgada e perdida, dia, noite e madrugada! Há dias que me enchem, que me vivem de solidões lacústres e ardentes, vozes tristes que me dizem: " não almejes ò mortal o que não sentes!" Velhas vozes do restelo que ainda nos maldizem! E quando a morte me trouxer esse momento, o de dormir sem saber onde acordar, que não haja em meu ser ressentimento, que não haja ao pè de mim triste-chorar, que haja apenas liberdade e esquecinento ... Não quero ao pè de mim ninguèm fingindo que a dor lhe assalta a Alma ou o Pensamento, quero gente ao pè de mim cantando e sorrindo, num puro, sagrado e eterno sentimento! Que eu me irei ao ceu, subindo ... subindo ... Quero-me ir em silêncio ao marmore jazigo, sem prantos, sem dores ou lamentos, quero ir, contigo, a meu lado, dormido em panos d'oiro e carmezim de cantos ... Não abandones, meu amor, este meu sonho antigo! Que a morte me leve a sòs sem ninguèm ver, que nada me perssiga, nem pena nem adeus, quero deitar-me no leito e adormecer, rasgar a vida, morrer, subir aos cèus, sem dor, silvas ou tormentos padecer! Pois fiz da vida uma busca e fui aborto, procurei saber e percorrer o meu caminho, mas fui Alma que viveu alèm do corpo, um fado, um poema, um destino, triste sombrio e absorto ... Sempre quis que a morte ao vir a mim encontrasse alguèm sabido em liberdade, procurei, estive aqui, disse não e disse sim, pr'a que a morte à hora da verdade, não viesse matar um morto ... e foi assim!
No pensador.ai desde