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Frase de Luciano Calazans

Desatinos do Tempo O tempo mata da mesma forma que cura e nos traz a vida. O tempo ama, o tempo odeia. O tempo dá, exatamente da mesma forma que tira. O tempo anseia e desdenha. O tempo é o cheio, o tempo é o vazio. O tempo traz o tempo leva. O tempo é glória, o tempo é fracasso. O tempo é parceiro e inimigo. O tempo é longo, o tempo é curto. O tempo engorda o tempo emagrece. O tempo para o tempo não para. O tempo é para. O tempo não é para. O tempo enaltece, o tempo deprecia. O tempo nos deixa felizes e o tempo nos deixa tristes. O tempo é visível. O tempo é invisível. O tempo e seus desatinos... O tempo vem o tempo vai. O tempo é tudo o tempo é nada. O tempo sobra, o tempo falta. O tempo deseja, o tempo ojeriza. O tempo é e o tempo não é. O tempo é Deus, ateu, gnóstico, agnóstico. O tempo é branco, preto e colorido. O tempo tem cheiro e o tempo fede. Perdemos tempo pensando, ganhamos tempo pensando. Nós perdemos tempo, mas o tempo não nos perde. Nós esquecemos o tempo, mas o tempo nunca, nunca nos esquece. O tempo e seus desatinos. O tempo é rei para uns e súdito para outros(que pensam que são monarcas). O tempo é luz e escuridão, é amor, é paixão, é lascívia é um não. É um sim é um talvez. O tempo é tudo. Não temos mais tempo para pensar sobre o tempo, no entanto o tempo está sempre a pensar em nós. O tempo é macho e fêmea, união e desunião. Somos caprichos, devaneios, desatinos do tempo... Luciano Calazans. Salvador, 12/11/2012.

Luciano Calazans

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Pensador.com

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ANJOS E PÁSSAROS (soneto melódico) Não que me importe com a sua porta
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ANJOS E PÁSSAROS (soneto melódico) Não que me importe com a sua porta Aberta para outros portos Não que me importe com a sua vida Alheia ao meu inteiro dispor Não que me importe com meu segundo círculo Do meu inferno de antes Ainda ouço o canto da cotovia Estranho o canto do sabiá do forte E suas melodias sinuosas em plena Hora que o anjo também costuma Versar, cantar Amigos, Angelus, flores Mil melodias de cantos e prantos Numa saborosa agonia Espanto! Não que eu queira me antecipar Mas se a dor purifica a alma azul Peço às cotovias e sabiás Em forma de anjos Que cantem suas mis melodias Em cânones reverberados e retumbantes O sim O sim O sim Desejo este atendido Pelas singelas aves-anjos Aos que penam no segundo inferno Não que seja o recomeço Mas ouvi os anjos a cantar Não sofras coração maculado Não! Não! As portas estão abertas e o que está atrás delas também. Não que me importe por alguns momentos me calar. Quem sou eu para com quimeras Desafiar os cantos dos anjos, cotovias e sabiás?

E ENTÃO… Então me vi sem norte Sem porte
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E ENTÃO… Então me vi sem norte Sem porte Sem porto Ambíguo e quase menos vivo Então ouvi seus olhos Cheirei tua boca Afaguei teu sorriso Beijei sua nuvem Então sorri teu pranto Uma vida chegando Duas estrelas, um ventre Fecundo e tenaz Então cataclismas - breve torpor de nossas almas. Então movimentos Circulares Círculos de Plotino Círculos de Hipátia Círculos de Dante Universo ensimesmado Infindáveis questionamentos... Não caíste em desmantelo Naquele ano do nosso senhor - tempo Que o vento não levou e brisa sorridente Nos gracious com choros enfantes sem dentes Então chorei teu sorriso Reguei seu jardim Então a luz chegou Poderosa e ofuscante Então sorrimos o choro...

IN-SONE Insônia Única companheira que chamo também
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IN-SONE Insônia Única companheira que chamo também De refúgio da criação Invólucro dos pesares Caixa de Pandora aberta Em um eterno-efêmero momento de solidão O estar perto e longe do firmamento particular Uma algoz que atormenta o tormento Uma sombra iluminada por idéias que se misturam Em um liqüidificador de sons imaginários e reais ou solidificador de imagens de sons. Vêm me buscar quando não preciso Me abandona quando o sim encontra o não Paredes e arrebóis carregados de uma leve frustração De quem quer o que tem e não pode ter o que quer Penso! Penso! Penso... Criação? Às vezes não. A respiração predadora da alma inquieta Não levanta sua flâmula, seu pendão branco. E resta-me a réstia de um novo amanhecer.