Frase de Evan do carmo
Vertigem do Nada Há um buraco no centro do peito, não é dor, não é falta, é vazio. Um eco que grita sem nome, sem rosto, um abismo que engole o que antes era rio. As estrelas são olhos mortos no céu, testemunhas frias daquilo que somos: poeira sem rumo, sem forma ou destino, fantasmas que ao nada vagando retornam. O tempo, carrasco sem face ou clemência, sussurra promessas que não pode cumprir. Cada instante é um fardo, uma farsa, um passo mais perto do eterno cair. E quem sou eu neste vasto deserto, senão sombra que sonha ser luz? Um verbo calado, um silêncio sem versos, um grão de areia que o vento conduz. Procurei na matéria, no espírito, no verbo, mas o Nada me encara, imóvel, voraz. Sou apenas o medo vestindo a esperança, um eterno adeus a tudo que jaz. Se há sentido, ele dança no escuro, esquivo, risonho, a zombar do querer. Mas na borda do abismo, ainda respiro, porque mesmo no Nada, há ser.
No pensador.ai desde