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Frase de Renato Jaguarão

⁠NEGO RASTILHO Ali na velha figueira, Quase no fundo da pampa Repousa a velha estampa Do negro santo milagreiro Donde a canha, o palheiro São regalos das promessa E o fim da história empesa Por mando de um entrevero Ainda mocito o negro Se fez solito no mundo Nascera o pai já defunto Jogado pelos galpão GUACHO de pe no chão Jogado pelas estancia Era o retrato da herança Dos tempo de escravidão Mas era a desigualdade Que amadrinhava o destino Assim ainda franzino Tomou o rumo da estrada Bebendo nas madrugadas Sem poso certo ou morada Qualquer rancho era parada Pra alma de um teatino O destino lhe dera a destreza Essas Cosas da natureza, Que nascem do nosso lado Abria qualquer candado Assim feito magia Depois desaparecia Se embretando nos campos Parceriando os pirilampos O Quero-Quero e as tropilha Conhecedor da fronteira Dos bolicho, dos quilombos Refugava ao primeiro tombo. A nada queria mal Oficio era braçal, Vivia de changa e lida Pra molde o palheiro, bebida E alguma carne de sal... Mas foi em 45 Naquele inverno tirano O negro, índio paysano Se topou com a guarnição Não se sabe o motivo Daquela rude investida Que fez ceifar uma vida No fogo do mosquetão Ainda agonizando Depois do ronco do tiro Como um último suspiro Recordou a sua vivencia Cada canto da querência Os anos a sua idade E GRITOU LIBERDADE Sem nunca pedir clemência! Assim naquela noite Sem velório, vestimenta Em meio a toda tormenta Se deu o sepultamento Sem despedida, lamento Solito tal qual destino Uma cova, nem um sino Nem oração, nem adeus. Hoje em nova morada Debaixo de uma figueira No limite da fronteira Onde a geada chega primeiro Fumo cachaça, dinheiro Regalo do prometido De quem foi atendido Pelo Rastilho milagreiro. - Renato Jaguarão∴

Renato Jaguarão

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Pensador.com

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POR ESSAS FRONTEIRAS Vou chegando despacito Assim pedindo permiso
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POR ESSAS FRONTEIRAS Vou chegando despacito Assim pedindo permiso Adentrando no galpão Cheguei hoje da fronteira De Santana com Rivera Tropeando léguas de chão Me espera o Aparício Nessa lida de Ofício De quem nasce pra ginete Gauderio de fundamento Forjado a quatro tentos Nas estâncias do Alegrete Por hoje peço pousada Amanhã pego a estrada Essa é a vida que escolhi Mais tarde na Madrugada Vamos quebrando geada Em direção a Quaraí Criado nessas fronteiras Cruzando as carreteiras Nem sei que lado nasci Gaúcho e castelhano Sou filho do minuano Com uma índia de Itaqui Neste pampa castelhano Me conhecem por paysano Origem de três bandeiras Com meu pala encarnado Sou herança do passado Dos tauras dessas fronteiras O meu pala correntino Que comprei lá na Argentina Quando andei em Uruguaiana Enxugou muitos lamentos Por juras de casamento Que fiz pra uma castelhana

Areeiro. Hoje, o sol escondido, fez sombra na barranca. O rio brilhou, mais que a nascente.
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Areeiro. Hoje, o sol escondido, fez sombra na barranca. O rio brilhou, mais que a nascente. Espelhou, Santa Rosa, escureceu o céu. João areeiro, transbordou a barca, planando na correnteza. Horizonte, incerteza, é o dia de amanhã. No cais aguarda o retorno, um filho uma mulher. No entardecer, correnteza bruta, que a vida leva de proa. A areia é a vida, o pão de cada dia. Espera Maria, a noite caiu. O filho chorou, o João não subiu. A tempestade sem aviso, não permitiu retornar. Jaguarão levou a barca, areeiro não tem mais a pá. Maria chorou para o rio, João, que não vai mais voltar.