Frase de Maria da Penha Boina
O homem avestruz O homem que fortemente criticou o que lhe era desconhecido Sentia-se o maior dos protegidos E sem nenhum escrúpulo, julgou o ser amado, E acabou se acabrunhando no silêncio. Num momento sequer esperado Viu-se totalmente desamparado Teve medo da recusa e de ficar ilhado. Sua autoconsciência saiu da inércia, da paralisia, Tudo agora se podia. O desconhecido que por ora criticado Torna-se o recanto mais privilegiado, a zona de conforto, a sua nova ilha. Como o novo encontrado é o diferente Tenta a amnésia afetiva para adiar decisões, Coloca-se em territórios movediços Criando armadilhas para sua própria dignidade. O que o move agora é o inconsciente Com esperança no que lhe é variado, O que lhe trava a nostalgia. Para não incorrer no perigo de fazer a história irreconciliável E por medo da verdade que na ponta de seu nariz se encontra Cobre a cabeça como a avestruz, sentindo-se protegido. Criando um inimigo eloquente demais, que para um poeta, Não existe comentário. O seu amado, agora o seu inimigo imaginário, Avança meticulosamente E quando da sua passagem da opulência e da felicidade à pobreza e desgraça Será o único que estará a seguir os seus passos Para te elevar do seu estado de aflição, do seu infortúnio e desventura, Da calamidade em que se encafuou.
No pensador.ai desde