Frase de Célia Moura
Todos os dias te chamo envolta no negrume desta minha alma vazia. Todos os dias emudecem gritos na garganta paridos nesta agonia de viver sem saber para quê! Ninguém sabe de que néctar nos lambuzámos, de que luz nos incendiámos na lânguida tela, primordial e eterna inebriada de papoilas e trigo por ceifar. Ninguém soube, nem eu sequer o quanto te amei. Todos os dias te chamo e tu vens afoito, sorridente comemorar comigo Vida ao entardecer na tapada. E com amoras nos olhos samambaias no rosto adormeces-me neste exílio de terra fecundada onde me dou por inteira, sangue, pele, artérias indignação e coisa nenhuma. Todos os dias me adormeces num beijo de colibri para que esta dor imensa renasça flor.
No pensador.ai desde