Catedral da Noite Na abadia do crepúsculo, sombria e ancestral, Onde teias pratejam o mármore funeral,
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Catedral da Noite Na abadia do crepúsculo, sombria e ancestral, Onde teias pratejam o mármore funeral, As estátuas choram lágrimas de pó e solidão, Guardando um segredo morto em cada coração. A lua, farol pálido de um destino amaldiçoado, Beija os vitrais quebrados do tempo condenado. Sombras se arrastam lentas,em dança sem perdão, Vestidas de nevoeiro e eterna desilusão. Os corvos são os monges deste claustro sem fé, Gravando em suas asas o eco de um réquiem. O vento sussurra salmos de um hymno funeral, Enquanto a podridão exala seu perfume eternal. E na nave do abismo, onde o tempo desmorona, Uma alma ainda vaga,pálida e abandonada. Ela busca um reflexo na fonte do esquecimento, Preso no laço eterno de um frio tormento. O órgão toca uma fuga de notas de agonia, É a música das almas que a luz já não guia. E cada gota que cai da umidade sem fim, É um verso da poesia que a morte escreve aqui. Assim, na catedral que o musgo vai coroar, O gótico se ergue,sem fim para findar. Onde a beleza mora na mais profunda dor, E o silêncio é o verso mais puro do terror.