Sorrio apenas o necessário
Para que o sorriso não seja apenas um escancarar de boca
Boca que seduz, assobia, devora,chupa que beija
Boca que poeta,encanta, canta e não cala.
Sarabatana flechou coração do cantador da aldeia
Que vive apaixonado fazendo poemas pro rio
E passa o dia contemplando seu pé de taperebá
Beijando bocas sonhadoras que vem lá do Amapá
Tomara que existam cores no teu pensamento
Tomara que exista madrugada no teu bocejo
E que seja verso cada esquina donde moras
Pra que a poesia se encalhe no refrão dessa canção.
Vou batendo pilão na cadência desse carimbó
Anunciando aos meus guias os segredos dos tajás
Chamando os curupiras sonhadores da Amazônia
Pra essa festa danada de boa que é marabaixo.
Lembro da gente voltando da festa terminada
Em cambaleios abraçado a pessoa amada
Ouvia-se apenas os compassos de nossos passos
Que se harmonizavam com as cantigas
Que surgiam do silêncio romântico das estrelas
Que clareavam caminhos da minha cidade do interior.
Hoje o meu quintal amanheceu lilás
Da cor do amor fugaz, da cor da sedução
Hoje as flores se abriram e choveu pétalas no chão
Fizeram do meu canto a cor forte da emoção
Ainda é tempo de jambo.
Quero um quintal plantado de acordes pra te musicar
Quero ladrilhos de ouro pra que possas caminhar
A poesia de Augusto pra imaginar
A cantoria dos anjos pra me acalentar..
Um rádio tocando Mister Robinson de Simon e Garfunkel
Um urubu planando no céu da minha cidade ai leu
Um beijo à flor aflora as rosas desse teu jardim
Uma serpente sem dente, sem presas passeia por cima de mim.
Hoje amanheci com vontade de dançar
Com vontade de provar do batom da tua boca
Hoje eu acordei com vontade de beijar
Com vontade de beber dessa paixão tão louca