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Frases de Yves Bonnefoy

7 frases

⁠Quando, nos sonhos dos deuses adormecidos, o último selo se romper E eles acordarem e se lembrarem de quem são Eles haverão de se erguer
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⁠Quando, nos sonhos dos deuses adormecidos, o último selo se romper E eles acordarem e se lembrarem de quem são Eles haverão de se erguer Em todos os horizontes, fronteiras ou dimensão Como sóis no amanhecer, em um primeiro dia de uma nova criação As cortinas samsáricas então se abrirão E no palco do infinito... No espetáculo à entreter Estarão todos os entes,no cenário da eternidade, em comunhão Tudo isso eu vi acontecer Quando minha alma explodiu em mistério e inspiração Lançando fagulhas de iluminação em cada ser Que traziam a incandescência apocalíptica prestes à acender no coração E que, pela verdade e seu poder Superaram o universo em complexidade e vastidão

A rapidez das nuvens O leito, ali a vidraça, o vale, o céu, A rapidez magnifica das nuvens.
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A rapidez das nuvens O leito, ali a vidraça, o vale, o céu, A rapidez magnifica das nuvens. Sobre a vidraça a garra da chuva, de súbito, Como se o nada rubricasse o mundo. Em meu sonho de ontem O grão de anos passados ardia por chamas Curtas no piso ladrilhado, sem calor. Nossos pés o afastavam, nus, com água limpa. Ó minha amiga, Que pouca era a distância entre o teu corpo e o meu! A lâmina da espada do tempo que ronda Ali buscara em vão lugar para vencer.

Belo verão Nossos dias o fogo habitava e cumpria, Feria ao tempo o ferro a cada alva mais cinza,
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Belo verão Nossos dias o fogo habitava e cumpria, Feria ao tempo o ferro a cada alva mais cinza, O vento golpeava a morte em nossos tetos, O frio não sustava o cerco em nossos peitos. Foi um belo verão, insosso, áspero e escuro, Amaste a maciez da chuva no verão E amaste a morte assim dominando o verão Do pavilhão tremente em suas asas de cinza. Naquele ano vieste quase a decifrar Um signo sempre negro alçado ao teu olhar Pelas pedras, e ventos, e águas, e folhagens. Assim a relha já mordia a terra móvel E o teu orgulho amou aquela luz tão nova, A embriaguez de ter medo em terra de verão.

Uma pedra Tenho sempre fome desse Lugar que nos foi espelho,
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Uma pedra Tenho sempre fome desse Lugar que nos foi espelho, Das frutas curvadas dentro De sua água, luz que salva, E gravarei sobre a pedra Lembrança de que brilhou Um círculo, fogo ermo. Acima é rápido o céu Como ao voto a pedra é fechada. Que buscávamos? Talvez Nada, a paixão só é sonho. Nada pedem suas mãos. E de quem amou uma imagem, Por mais que o olhar deseje, Fica a voz sempre partida, É a palavra toda cinzas.

Lugar verdadeiro Seja dado um lugar àquele que vem vindo, Personagem com frio e privado de lar.
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Lugar verdadeiro Seja dado um lugar àquele que vem vindo, Personagem com frio e privado de lar. Personagem que o ruído tenta de uma lâmpada, E a soleira alumiada de um único lar. E se alquebrado está de angústia e de fadiga, Repitam-lhe as palavras que o irão curar. Que falta a esse peito que era só silêncio, Senão palavras feitas do signo e do orar. E qual pequeno fogo de repente à noite, E essa mesa entrevista de um humilde lar?

Às árvores Vós que vos apagastes à sua passagem, Que sobre ela fechastes os vossos caminhos,
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Às árvores Vós que vos apagastes à sua passagem, Que sobre ela fechastes os vossos caminhos, Impassíveis avais de que até morta Douve Há de ser luz, ainda não sendo nada. Vós fibrosa matéria e densidade, Árvores, junto a mim quando ela se lançou Na embarcação dos mortos e boca fechada Ao óbolo de fome, de frio e silêncio. Ouço através de vós que diálogo ela tenta Com esses cães, com esse informe bateleiro, E eu pertenço a vós pelo seu caminhar Por entre tanta noite e apesar deste rio. O trovão tão profundo a vos rolar nos galhos, As festas que ele inflama ao cume do verão Sinalam que ela liga a sua fortuna à minha Pela mediação da vossa austeridade.