RÉU
o beijo roubado
o coração vagabundo
pelo olhar assaltado
neste charco profundo
o amor bandido
a paixão que tortura
o sentimento proibido
o incidente da aventura
pelas palavras sequestrada
está a vítima consentida
sua alma amarrada
e a consciência amortecida
reles inconfessa
argui-se depressa
prisão de ardor
ardendo de amor
{William Frezze}
habito aqui, no importante encontro
onde estar é o resumo do que somos
desejo — quanto mais adentro —
querer em tudo o que o que supomos
acontecer enquanto acontecemos
habitamos naquilo que conhecemos
na presença que mora na renuncia
na verdade que mente e disfarça
no momento, no apego, na impronuncia
no todo, em parte, no flagra, na farsa
estamos na ausência que não se despede
no fato que não se aceita
dá-se quanto mais se pede
quer-se quanto mais se rejeita
sentimento nunca inteiramente inteiro
vontade jamais ponderada
razão sussurrada
agente sorrateiro
de toda ignorada
loucura despudorada
a confissão está na negação
mas a aceitação não está na culpa
ele encontrou o alvedrio na prisão
ela peca, claudicante, enquanto purga
ambos se inocentam na condenação
ambos se oferecem na regeneração
pele do seu corpo, abraço que acalma
sinto pelo toque o sorriso da sua alma
beleza que jorra
o beijo que implora
para além do aquém
você, inteira e mais ninguém