É DOCE E HONROSO [DULCE ET DECORUM EST] (2) Wilfred Owen (tradução de Renato Amado Peixoto) Encolhidos, como velhos mendigos debaixo de sacos,
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É DOCE E HONROSO [DULCE ET DECORUM EST] (2) Wilfred Owen (tradução de Renato Amado Peixoto) Encolhidos, como velhos mendigos debaixo de sacos, Cambaleando como bêbados, tossindo feito velhas, nós ziguezagueamos em meio ao lamaçal, Até que a luz bruxuleante dos sinalizadores nos fizesse virar E, para a distante retaguarda, começar a caminhada. Homens marchavam adormecidos. Muitos tinham perdido suas botas Mas tropeçavam, calçados de sangue. Todos estavam alquebrados; todos cegos; Bêbados de fadiga; não escutavam nem mesmo o rugido Dos desinteressantes obuses que, fora de alcance, explodiam atrás. Gás! Gás! Rápido, amigos! - A euforia de conseguir ajustar, atabalhoadamente, aquelas máscaras desajeitadas, na hora exata; Mas alguém urrava e caindo, Debatia-se como se estivesse em chamas ou sob cal viva... Embaçado, através das enevoadas lentes da máscara e de uma grossa luz verde; Como se estivesse debaixo de um mar verde, eu o vi se afogar. Em todos os meus sonhos, diante de meus olhos impotentes, Ele mergulha sobre mim, sorvendo o ar, asfixiando, afogando. Se em algum sonho sufocante você também pudesse passar Por detrás da carroça em que nós o arremessamos. E observar os olhos brancos contorcidos em sua face, Seu rosto pendurado, como o de um demônio cansado de pecar; Se você pudesse ouvir, a cada solavanco, o sangue Gargarejar dos seus pulmões corrompidos em espumas, Obscenas como câncer, amargas e esverdeadas como a regurgitação de um boi Infames, incuráveis feridas sobre línguas inocentes, Meu amigo, você não iria, com tão grande entusiasmo e idealismo, contar Para as crianças desejosas de algumas glórias desesperadas, A velha Mentira: É doce e honroso Morrer pela pátria.