Não te amo, eu te consumo. Sou chama que não pede licença, que invade cortinas,
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Não te amo, eu te consumo. Sou chama que não pede licença, que invade cortinas, lambe paredes, e transforma tudo cinzas. Te toco e já não és inteiro. Teus contornos tremem como papel prestes a desistir da forma, como madeira que geme antes de virar brasa. Meu amor não aquece, devora. É ardor sobre a pele, é ar roubado dos teus pulmões, é o vermelho vivo que cresce até não caber no próprio corpo. Onde passo, não resta nome. Não resta tempo. Não resta volta. Só o estalo seco, irreversível de algo que já foi inteiro. E ainda assim tu ficas. Ficas porque arder comigo é mais verdadeiro que sobreviver intacto. Ficas porque no colapso há beleza. Porque no fim quando tudo é carvão e silêncio ainda há calor. E é nele que nos reconhecemos.