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Frases de Vinicius de Moraes

356 frases

É claro que a vida é boa (…) E tenho tudo para ser feliz Mas acontece que eu sou triste…
O astronauta (Vinícius e Baden Powell) Quando me pergunto Se você existe mesmo, amor
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O astronauta (Vinícius e Baden Powell) Quando me pergunto Se você existe mesmo, amor Entro logo em órbita No espaço de mim mesmo amor Será que por acaso, a flor sabe que é flor E a estrela Vênus sabe ao menos Porque brilha mais bonita, amor O astronauta ao menos Viu que a terra é toda azul, amor Isso é bom saber Porque é bom morar no azul, amor Mas você, sei lá Você é uma mulher Sim, você é linda porque é

Soneto do amor demais Não, já não amo mais os passarinhos A quem, triste, contei tanto segredo
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Soneto do amor demais Não, já não amo mais os passarinhos A quem, triste, contei tanto segredo Nem amo as flores despertadas cedo Pelo vento orvalhado dos caminhos. Não amo mais as sombras do arvoredo Em seu suave entardecer de ninhos Nem amo receber outros carinhos E até de amar a vida tenho medo. Tenho medo de amar o que de cada Coisa que der resulte empobrecida A paixão do que se der à coisa amada E que não sofra por desmerecida Aquela que me deu tudo na vida E que de mim só quer amor - mais nada. Vinicius de Moraes

Soneto do amor como um rio Este infinito amor de um ano faz Que é maior que o tempo e do que tudo
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Soneto do amor como um rio Este infinito amor de um ano faz Que é maior que o tempo e do que tudo Este amor que é real, e que, contudo Eu já não cria que existisse mais. Este amor que surgiu insuspeitado E que dentro do drama fez-se em paz Este amor que é o túmulo onde jaz Meu corpo para sempre sepultado. Este amor meu é como um rio; um rio Noturno, interminável e tardio A deslizar macio pelo ermo E que em seu curso sideral me leva Iluminado de paixão na treva Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

AMIGOS MEUS Amigos meus, está chegando a hora Em que a tristeza aproveita pra entrar
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AMIGOS MEUS Amigos meus, está chegando a hora Em que a tristeza aproveita pra entrar E todos nós vamos ter que ir embora Pra vida lá fora continuar Tem sempre aquele Que toma mais uma no bar Tem sempre um outro Que vai direitinho pro lar Mas tem também Uma sala que está vazia Sem luz, sem amor, sombria Prontinha pro show voltar E em novo dia A gente ver novamente A sala se encher de gente Pra gente recomeçar

Pela luz dos olhos teus Quando a luz dos olhos meus E a luz dos olhos teus
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Pela luz dos olhos teus Quando a luz dos olhos meus E a luz dos olhos teus Resolvem se encontrar Ai que bom que isso é meu Deus Que frio que me dá o encontro desse olhar Mas se a luz dos olhos teus Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar Meu amor, juro por Deus Que a luz dos olhos meus já não pode esperar Quero a luz dos olhos meus Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará Pela luz dos olhos teus Eu acho meu amor que só se pode achar Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

Se você quer ser minha namorada Ai, que linda namorada Você poderia ser
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Se você quer ser minha namorada Ai, que linda namorada Você poderia ser Se quiser ser somente minha Exatamente essa coisinha Essa coisa toda minha Que ninguém mais pode ser Você tem que me fazer um juramento De só ter um pensamento Ser só minha até morrer E também de não perder esse jeitinho De falar devagarzinho Essas histórias de você E de repente me fazer muito carinho E chorar bem de mansinho Sem ninguém saber porquê Porém, se mais do que minha namorada Você quer ser minha amada Minha amada, mas amada pra valer Aquela amada pelo amor predestinada Sem a qual a vida é nada Sem a qual se quer morrer Você tem que vir comigo Em meu caminho E talvez o meu caminho Seja triste pra você Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos E os seus braços o meu ninho No silêncio de depois E você tem que ser a estrela derradeira Minha amiga e companheira No infinito de nós dois.

Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma
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Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente.

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode d…
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A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Chega de Saudade Vai, minha tristeza, e diz a ela Que sem ela não pode ser
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Chega de Saudade Vai, minha tristeza, e diz a ela Que sem ela não pode ser Diz-lhe, numa prece, que ela regresse Porque eu não posso mais sofrer Chega de saudade, a realidade é que sem ela Não há paz, não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai Mas, se ela voltar, se ela voltar Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei na sua boca Dentro dos meus braços Os abraços hão de ser milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim Não quero mais esse negócio de você viver assim Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Onde Anda Você E por falar em saudade Onde anda você
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Onde Anda Você E por falar em saudade Onde anda você Onde andam os seus olhos Que a gente não vê Onde anda esse corpo Que me deixou morto De tanto prazer E por falar em beleza Onde anda a canção Que se ouvia na noite Dos bares de então Onde a gente ficava Onde a gente se amava Em total solidão Hoje eu saio na noite vazia Numa boemia sem razão de ser Na rotina dos bares Que apesar dos pesares Me trazem você E por falar em paixão Em razão de viver Você bem que podia me aparecer Nesses mesmos lugares Na noite, nos bares Onde anda você

Vazio A noite é como um olhar longo e claro de mulher. Sinto-me só.
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Vazio A noite é como um olhar longo e claro de mulher. Sinto-me só. Em todas as coisas que me rodeiam Há um desconhecimento completo da minha infelicidade. A noite alta me espia pela janela E eu, desamparado de tudo, desamparado de mim próprio Olho as coisas em torno Com um desconhecimento completo das coisas que me rodeiam. Vago em mim mesmo, sozinho, perdido Tudo é deserto, minha alma é vazia E tem o silêncio grave dos templos abandonados. Eu espio a noite pela janela Ela tem a quietação maravilhosa do êxtase. Mas os gatos embaixo me acordam gritando luxúrias E eu penso que amanhã... Mas a gata vê na rua um gato preto e grande E foge do gato cinzento. Eu espio a noite maravilhosa Estranha como um olhar de carne. Vejo na grade o gato cinzento olhando os amores da gata e do gato preto Perco-me por momentos em antigas aventuras E volto à alma vazia e silenciosa que não acorda mais Nem à noite clara e longa como um olhar de mulher Nem aos gritos luxuriosos dos gatos se amando na rua. Rio de Janeiro, 1933

Por que será? Por que será Que eu ando triste por te adorar?
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Por que será? Por que será Que eu ando triste por te adorar? Por que será Que a vida insiste em se mostrar Mais distraída dentro de um bar Por que será? Por que será Que o nosso assunto já se acabou? Por que será Que o que era junto se separou E o que era muito se definhou Por que será? Eu, quantas vezes Me sento à mesa de algum lugar Falando coisas só por falar Adiando a hora de te encontrar É muito triste Quando se sente tudo morrer E ainda existe o amor Que mente para esconder Que o amor presente Não tem mais nada para dizer Por que será?

A uma mulher Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
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A uma mulher Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias E a angústia do regresso morava já nos teus olhos. Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne Quis beijar-te num vago carinho agradecido. Mas quando meus lábios tocaram teus lábios Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo E que era preciso fugir para não perder o único instante Em que foste realmente a ausência de sofrimento Em que realmente foste a serenidade. Rio de Janeiro, 1933

Por que tens, por que tens olhos escuros E mãos lânguidas, loucas e sem fim Quem és, que és tu, não eu, e estás em mim
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Por que tens, por que tens olhos escuros E mãos lânguidas, loucas e sem fim Quem és, que és tu, não eu, e estás em mim Impuro, como o bem que está nos puros? Que paixão fez-te os lábios tão maduros Num rosto como o teu criança assim Quem te criou tão boa para o ruim E tão fatal para os meus versos duros? Fugaz, com que direito tens-me presa A alma que por ti soluça nua E não és Tatiana e nem Teresa: E és tão pouco a mulher que anda na rua Vagabunda, patética, indefesa Ó minha branca e pequenina Lua!