Passas as noites em branco, cansado, sem forças, mas pintas. Na tela, vês uma janela,
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Passas as noites em branco, cansado, sem forças, mas pintas. Na tela, vês uma janela, mesmo sentindo que estás-te nas tintas. Se pintas aquilo que sentes, não mais finjas a tua dor. Não ocultes as linhas da tela que reproduzes com tintas sem cor. Se sentes e choras, pintor , que a arte não pode mudar-te. Deixa levar-te pelo vento que os pincéis hão-de abraçar-te. Mas caro pintor, chorar por amor não é deixar de sentir a paixão. Pega na tela, e faz-te a ela que o cavalete suporta a razão. Lembras-te dela, ao ver na janela, sem que ela saiba da tua existência. Inspiras-te nela, e pões na paleta as tintas da inocência. E nas tuas mãos arrasadas, manchadas de tonalidades sem cor, pousa a tinta, que passa na tela para expressar o que sentes pintor. Liberta essa dor, caro artista. Liberta o furor, suja essas mãos. Levanta os pincéis, pousa a bebida, onde te vais afogando em vão.