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Frases de Vanessa Brunt

221 frases

⁠Consistência não é só constância. É continuar ajustando o rumo.
⁠QUANDO NÃO FOR ESPERA Tudo o que ela precisa É desaprender a morrer
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⁠QUANDO NÃO FOR ESPERA Tudo o que ela precisa É desaprender a morrer Que de tanta morte-viva Acostumou-se a se refazer. Por onde a pulsação anda Ela arrasta todo o caixão E onde aparece uma sombra Prepara o buraco no chão. Pega o corpo defunto molhado E levanta inteiro outra vez Sem crer em dia ensolarado Que poderia enxugar os clichês. Faz flor na terra esburacada Mas não acredita em quem se diz vivo Arranca das costas facada E não confia nos curativos. Tudo o que ela precisa Ah! É desaprender Que de tanto ser natural, morte Nem acredita mais em benzer. Não fecha os olhos em cochilos longos Nem mesmo permite que dure o repouso. Procura provas de que o pernilongo Fará outro homicídio culposo. Tudo o que ela precisa, oras! É uma história para não se enterrar Um livro, uma água fresca, uma semente Que vai florear. Uma paciência de Jó Para entender quem muito voltou Dos mortos, terra na garganta De onde ninguém mais pisou. Um filete de luz quando o escuro Vier de mansinho pós-sol Um sentimento todo seguro De nem morrer, nem viver Em prol. Apenas coisa bonita, que não fecha A entrada do ar que respira. Tudo o que ela precisa É aprender mais o que admira. Porque Quando o tempo não for mais o tempo E o doer não for a-versão Quando tanto não der n’outro pranto Quando o sim for menos que o não Ela chora, ardendo, gritando Faz calar toda, tanta, ilusão E o peito, cremado, berrando Diz, enfim, que chorou de emoção Sabe, aqui, que tudo faz motivo Quando a hora não é de moer E o bordado, bordado agressivo Sabe, enfim, n’outra mão se caber E o sentido que ninguém achava Escondido, no que era pra’si Faz resposta, assim, intuitivo Como se choro pudesse sorrir Entre adeus, chegadas e meios Prefere ter tudo onde possa ficar Porque voltar, já não suficiente Faz a dor calejada sarar Mas fica inda batendo tão roxo E assim ninguém volta a sua cor Aprendido que o cadarço frouxo Não segura nenhum caçador E agora ela entende o momento De agradecer somente a quem fica Casa, ninho, asa que descansa Quando ir não destrói o que habita Quando o tempo não for mais o tempo Quando a marca não mais desbotar Ela vai terminar o bordado Ela vai saber se podar Porque horta, para crescer grande Só se poda quando se rega Quando o tempo não for mais o tempo Ela vai enxergar quando cega Quando tudo não for mais a tora Quando a hora não for o seria Toda cura será para agora Todo precisar saberia Pelo belo de (se) achar mais bonito Dentro d’olho de quem faz caminho Casa, tranca, risco na parede Quando tempo não se faz sozinho E ela vai saber ceder, Vai pedir Demorado Quando o tempo não for mais o tempo Finalmente não será (mais) calado Que de tanto corpo sem vida Parou de ter tempo para viver Mas quando o tempo não for mais o tempo Não terá tempo é para morrer. (Vanessa Brunt)

⁠Quando a palavra sumir Do meu dedo inflamado Alguém vai sentir
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⁠Quando a palavra sumir Do meu dedo inflamado Alguém vai sentir Falta — desse peito esgoelado? Quando meu cansaço Vencer minha ira Quando meu espaço For, então, tão caipira Quando meus ressignificados Caírem em desuso Quando meus braços desarmados Cansarem desse abuso Haverá quem sofra, oras Por não ter meu poetar? Porque tanto escrevo, tanto Mas não sei quem ficará. Quando não for a juventude Nem mesmo a maturidade Quando não for a quietude Nem mesmo a ansiedade Quando não for mais nada E minha escrita não mais urrar Haverá, assim, alguém Que falta dela sentirá? Porque digo e firmemente repito Que só é protagonista quem compartilha, Mas no palco mais restrito Qual artista que realmente brilha? Com a linha que me apalpa Sinto aqui outro gatilho E entendo o que me escapa Se eu não ler fazendo o trilho _____ Visto que Só no meio desse peito atordoado Uma voz me chama calma E me acorda dizendo: Quem sente falta de quem nunca disse? Porque calado por calado O mundo acaba se abstendo E por isso pego minha caneta Mesmo que ninguém a visse.

ELA TERÁ UMA CASA DE CAMPO Tenho sentido falta de mim. De um lado antigo que precisou
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ELA TERÁ UMA CASA DE CAMPO Tenho sentido falta de mim. De um lado antigo que precisou adormecer. Ilustrações jogadas no motim. Aquela sonhadora que via o sol antes-dele-nascer. Mas não queria voltar a ser ela pura e simplesmente. A que sou hoje não é só mais forte, sabe também enxergar beleza onde a outra não via frequente. A de hoje sabe que ser boa é também saber quando ser vilã em um conto jogado. Só não queria ter que ser ela sem poder ser também da de ontem um bocado. Tenho sentido falta da moça que degustava a apreciação. Com tempo ou sem, ela era pura agonia, verdade, demora, visão. Agora, a de hoje escolhe, não pode ampliar um pouco de tudo a todo momento. Queria que para ser ela não precisasse matar um pedaço do tempo. Queria que dessem as mãos; a que tanto chorava e as rugas que secam a água salgada. Queria que fizessem plantão; a que por quase nada se descabela e a que para tudo rios-remava. Quiçá, no abraço delas more o equilíbrio, que ainda não sei se encontrei. Tenho saudade de quem não perdi e nem tampouco precisei. Clamo todas elas! Clamo. Porque preciso sim. Ora uma, ora outra. Espero que um dia, nenhuma viva sem mim. Tenho sentido saudade, tanto, mas nem sei como fazer esse convívio entre uma senhora sem espanto e outra que só via declívio. Elas vivem brigando, veja, quando tento apresentá-las. Talvez, olhe bem, a cereja, seja uma casa de campo a olhá-las… No dia em que aquela gente não obrigar nenhuma a surgir. Tento sentido saudade. Quem sabe passe quando ninguém precisar fingir. (Vanessa Brunt)