Alma do sonhador
Desvia-se do pessimista.
Apressa-se a ter com o sábio.
Chora na noite de calor ou frio,
por lembrar do foco longínquo.
Por pensar no caminho sagaz.
Na exaustão chora.
Lágrimas que apagam a poeira.
Que lavam o rosto.
Que lubrificam os olhos.
Que observa a presa.
Que vista como uma pequena centelha,
é alcançada.
Assim é a alma de quem sonha.
De quem luta.
De quem não desiste.
De quem vence.
Eu sou do gueto, do beco.
Eu sou o rabisco mal afeiçoado, o amontoado de linhas sem sentido que se assemelham à um borrão.
Eu sou a tempestade de ideias do artista, o despautério do pichador.
Eu sou o esguicho enevoado do spray que finda, o contorno aleatório da abstração.
Eu sou um amontoado de cores, sem nenhum tom de cinza.
Sou parede velha com reboco caindo e canos expostos, portanto, nunca sou emassado, que receba nem mesmo uma demão das mais caras e nobres tintas.
GRATIDÃO
Gratidão é a expansão do peito cheio de presentes que se ganha, sem enxergar merecimento para tal.
Gratidão é a percepção que existem fontes te banhando de água refrescante, em meio à aridez da existência.
Gratidão é o suspiro que transborda a alma, e se derrama até o pé cansado de galgar a estrada da vida.
Eu sou só gratidão.