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Frases de Tita Lyra

10 frases

⁠ Eu sou espelho Que reflete incerteza
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⁠ Eu sou espelho Que reflete incerteza Sou o que falta E o que completa Nesta mesma imagem.

⁠Tempo: compositor de destinos O tempo é quem escreve a partitura Que rege a sinfonia do início ao fim
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⁠Tempo: compositor de destinos O tempo é quem escreve a partitura Que rege a sinfonia do início ao fim No começo é tão extenso ... parece eterno Mas de um instante para outro, Torna-se escasso O tempo vira conciso, de forma fugitiva. Corrói matéria viva Quem dera ter tempo para o tempo que preciso É o tempo que me dá o tempo do indeciso O tempo para o devaneio O tempo para o cuidado Sem tempo para o esperneio Sem tempo para o açodado Porque o tempo é dono da razão É maestro do aprofundado É dono da vida; até do coração Sem pena do acovardado O tempo é assim: abusado Já não tenho mais este segundo O agora? Aqui é passado. Tita Lyra

⁠Quatro horas da manhã aqui no centro do Brasil Do infinito da minha cama, parece que o mundo inteiro dorme Sinto-me absolutamente solitária no meu planeta insônia
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⁠Quatro horas da manhã aqui no centro do Brasil Do infinito da minha cama, parece que o mundo inteiro dorme Sinto-me absolutamente solitária no meu planeta insônia Nem sequer consigo imaginar o burburinho Que acontece agora em um centro urbano nervoso do outro lado do mundo Aonde já são quatro horas da tarde. Aqui, no meu cárcere com olhos vendados Eu e eu travamos uma luta tão grande Para conquistar o único troféu que de fato ora me importa: Os braços de Morfeu! E ele parece tão distante... A luta cresce. Vejo-me em uma arena romana Enfrentando bestas de três cabeças Atenta aos perigos da noite Sem nenhum ser vivo nas galerias a torcer pelo gladiador que incorporei Porque o mundo dorme. Dormem os cães de guarda. Dormem os meninos levados. Dormem os vigias noturnos em suas Japonas azuis Dormem as ruas serenadas E até as folhas caídas no chão. Só não durmo eu: Farol aceso em meio a este oceano escuro e gigante O qual se torna mais e mais revolto Só me resta torcer para que, como náufraga extenuada, Minha mente escute uma canção de ninar Antes do sol raiar... Tita Lyra

⁠Meu coração é um desconhecido Por vezes meu coração é um desconhecido Ocupa-se em me pregar boas peças
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⁠Meu coração é um desconhecido Por vezes meu coração é um desconhecido Ocupa-se em me pregar boas peças Por vezes parece ser até aguerrido Em outras tantas me mantém dispersa É um bicho esquisito este meu coração Urra agudo dentro do peito Faz de mim um ser em construção E muito me deixa sem jeito Tem medo meu coração Nem por isto consegue recuar Meu coração não sabe dançar Quando tenta, pisa nos pés da minha dor E me persegue por todo lugar Meu coração não bate bem Aliás, é até lelé-da-cuca Parece um fole: Tão logo se enche, tão rápido se esvazia Meu coração já foi de Woodstock Não controlava seu toque- toque Agora, está mais pra ser militar Rígido, regrado...aprendeu a se disciplinar. Será? Tita Lyra

⁠Poeminha legal As pessoas se bastam; eu não. Preciso de cada um.
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⁠Poeminha legal As pessoas se bastam; eu não. Preciso de cada um. Preciso de todos. Preciso não dividi-los. As pessoas se deixam; eu não. Carrego no peito cada ser amoroso. Sei como amar alguém! Mas não sei como deixar de amá-lo. Dizer ao coração: A esse apague: àquele esqueça Em mim, é vão. O insensato músculo não escuta E, independente, bate. Por isso, não pense alguém poder um dia me perder. Ninguém me perde (ainda que deseje) Só EU me perco de mim... Tita Lyra

⁠Trégua Dá uma trégua neste duelo Passa pra mim seu passaporte
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⁠Trégua Dá uma trégua neste duelo Passa pra mim seu passaporte Aceita: não foi forte nosso elo E as dores? Manda pra o mesmo endereço Local oculto pra sepultar meu apreço Vem! Traz o guindaste forte Atende meu apelo: me tira desse berço Ergue-me; aponta-me o norte Para eu seguir com o vento a favor Içando velas; naufragando a dor Usando esparadrapo na cura do corte Ferida sanada; resta a cicatriz A nos torturar, por termos vivido por um triz. Tita Lyra - 2008

⁠ Sabemos: o nada e o tudo são, no fundo,
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⁠ Sabemos: o nada e o tudo são, no fundo, iguais -se escondem na mesma porção de mundo ou de corpo. Porém, não sabemos se calamos pra dizer o que mais nos dói; ou se tudo dizemos pra calar o que falta em nós. Tita Lyra

⁠Verso teimoso Eu não preciso escrever. Quem se importaria com meus escritos?
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⁠Verso teimoso Eu não preciso escrever. Quem se importaria com meus escritos? Penso então, que talvez seria até bom não escrever. Mas o verso é teimoso. O verso é insistente. Invade feito tisunami as páginas em branco Trazendo consigo avassaladoras palavras salgadas. Penso então, que talvez até seria bom não escrever. Quem sabe não haveria aflição e devaneios ? Eu não seria incauta ao fantasiar Meus versos viajando no tempo e no espaço Cruzando fronteiras Quem sabe se não escrevesse, a inquietude não existiria ? Eu olharia da varanda o entardecer de domingo, Veria tão-somente o entardecer de domingo... E não um pedaço de tempo passando Um pedaço a menos de vida. De nostalgia e solidão não vestiria o momento bucólico da varanda Esperando, com nostalgia e solidão, a visita da noite Viver com pesar a morte de mais um dia Teimosa, mais que o verso, Então eu escrevo. Tita Lyra

⁠Vê Que mesmo em face da nossa dor maior, O folião retorna ébrio deste carnaval
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⁠Vê Que mesmo em face da nossa dor maior, O folião retorna ébrio deste carnaval O cidadão exerce seu papel mor Carros, buzinas, atletas, sacerdotes, putas Mantém suas poses e rotinas Alheios ao nosso coração que não combina Não cabe Não casa Não bate no peito do planeta Porque o mundo vive Enquanto sobrevivemos Na extra sístole Da morte anunciada. Lâmina afinada A talhar nossa alma conjunta e emendada Ainda que através da dor Feito junção de peças de legos, Estamos multicoloridos, encaixados, seguros e interdependentes. Nos necessitamos nesta hora Neste formato temporário Porém imbativelmente forte. Que força é essa que nos une tanto E não consegue rodar as horas pra trás? Não há mesmo tempo Cada minuto passa a ter mais do que sessenta segundos No lento arrastar do sofrimento Em meio a essa Tissunami cruel Onde nós, Vítimas da avalanche imprevista e devastadora, Nos encontramos na convergência dos contrários Desejando absurdos impensáveis Através de preces profanas Apelos aos céus que mais parecem infernos Quando pedimos que o mar recue, Junto com a vida Ainda que tenhamos que sair, Pesadamente, Recolhendo nossos inúmeros mortos. TIta Lyra