Era noite, pela estrada eu seguia
Era noite, pela estrada eu seguia
A ouvir o barulho dos bichos,
Que na noite fazem folia,
Os gritos; os cantos nos nichos.
Parei para olhar a lua no céu,
O seu brilho refletido no rio,
Deixei minh'alma vagar além do véu,
Além da rua que ao vêr-me sorriu.
Como é belo o contemplar da alma
Que aos mistérios eternos desvenda,
Levando nas mãos a palma,
A sua glória, a sua senda.
Paira no céu a lua sublime,
Como um espírito a iluminar
A essência que esta noite exprime,
A ouvir seus bichos cantar.
Tingiram-se as nuvens de vermelho
Tingiram-se as nuvens de vermelho,
No instante em que a tarde caía
E eu via o céu como um espelho,
Onde minh'alma refletia.
E diante do céu que refletia o infinito,
Inebriante em contemplação,
Ficou meu espírito num gesto bonito,
Em atitude de oração.
E naquele precioso instante
Em que contemplava o belo amor;
Vi a luz da tarde agonizante,
Deixar morrer seu esplendor.
Então como um manto que se estende;
Estendeu-se a noite plena
E quem este mistério desvende;
Não terás a alma pequena.