Ah! Quanta hipocrisia nos cerca o dia-a-dia Que traz da noite a indiferença da tarde vazia Os choros calados saltando das janelas dos prédios
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Ah! Quanta hipocrisia nos cerca o dia-a-dia Que traz da noite a indiferença da tarde vazia Os choros calados saltando das janelas dos prédios Centralizadamente iguais Os fios dos telefones asfixiam corações Atrofiados e doentes A alegria torna-se a alergia de muitos O corre-corre, o grande propulsor da vida Que cotidianamente mente Que foge de si, de dó e até de ré Anda em círculos e triângulos Viciosos, tendenciosos demais para perguntar Qualquer informação aqui é atentado E aqui ninguém quer atenção A tensão aqui é por dinheiro Foge-se das férias e se reza pela hora extra A hora extra da morte é a extrema unção Se quem fica parado é poste Quem se mexe é cachorro Quem será que leva sua própria sacolinha? Pula choro, pula! Antes morrer sozinho do que habitar olhos que não vêem o mundo O coração morreu de tédio num domingo Só porque segunda era feriado.