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Frases de Tere Tavares

159 frases

⁠O único meio de obter uma noção, mesmo que mínima, sobre o bem e o mal é conhecer as lágrimas com a compaixão de quem é capaz de sentir pelo outro o sofrimento e a alegria.
⁠A noite ser As flores do meu corpo não dormem Entre o peso do orvalho e as lágrimas dos anjos nasce uma
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⁠A noite ser As flores do meu corpo não dormem Entre o peso do orvalho e as lágrimas dos anjos nasce uma chama para esfriar-me o rosto Haverá como alçar voo desse jardim de ossos? Desse sol sem urgência que ao caminhar destrói o meu punhado de assombros? Tenho todo tempo do mundo para olhar o tempo perdido; a vida que não tenho. A que flecha pertence o arco que atinge as minhas consciências? No fundo de mim o que há de mim? De que âncora nasce-me a vida? De que plenitude me vejo externa ao meu corpo? Alago-me nos livros que se compõem na minha incompletude de páginas – betumes e luzes que gotejam em fragas de espuma e espera.

⁠o mundo vai além das minhas dúvidas. há em mim ramagens estranhas. diria, tenho nas entranhas,
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⁠o mundo vai além das minhas dúvidas. há em mim ramagens estranhas. diria, tenho nas entranhas, todas as árvores do mundo. admiro a possibilidade que sinto múltipla por ser simples e, sorrio à que percebo complexa por ser única. deram-me o amor para existir e, no que amo, a existência suprema e lenta, instala seu lume. e só de plumas é o anjo que me pensa e sente a jura de alegria com o soluço da mente na boca. toda minh’alma é um lenço convulso por entre as folhas.

⁠a felicidade é um esquecer-se, um estreitar-se num segundo, antes que passe.
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⁠a felicidade é um esquecer-se, um estreitar-se num segundo, antes que passe. o assédio sábio da lua me investiga as emoções. falta-me a exatidão de quando deixei de sorrir; consigo supor que o perdi na lentidão sucessiva dos dias e das noites. também não atino quanto se passou de vida, entre o sorriso perdido e a dor que aprendi a sorrir agora. sou a liberdade que tem de si o gemido silente, o gosto de cada passo no descompasso de tudo que vive.

⁠de fato, sinto que existe a nesga bailarina plena de vida e, guardo-a num horto qual hóstia fosse
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⁠de fato, sinto que existe a nesga bailarina plena de vida e, guardo-a num horto qual hóstia fosse e, rezo-a, no sigilo da alma, nos meus olhos de menina. é tão indelével o que se tem da existência que em tudo cabem inúmeros propósitos. não fujo de falar comigo: se é minha vontade entender-me, inicio por estudar-me.

⁠as coisas com que falo têm a voz dos princípios e desertos, têm todas as vozes dos perdidos,
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⁠as coisas com que falo têm a voz dos princípios e desertos, têm todas as vozes dos perdidos, e me seguem, ouvindo. me aquieto no escuro como quem foge ou se esconde e, neste esconder, cubro-me de um ser tão ínfimo para o mundo, quanto é branda a calmaria das horas a quem tem a eternidade para si. quando a ausência de tudo está em mim, sinto-me, em tudo, mais presente. durmo, e não sei a tranqüilidade santa de quem, verdadeiramente, dorme. cada dia é um oráculo que circunda e realça o sentimento, e na leveza que me enleva, vislumbro a sombra que me inunda e a luz que me sucumbe.