_1º Bilhete
Perdão meu irmão
Nada disso eu pretendi
A sedição é real
Perdão meu irmão
Pela alma que de ti furtei
Perdão meu irmão
Pelo corpo que de ti furtei
Escrevo para ti palavras sinceras
Tentando nelas transmitir o sentimento que me leva a escrever para ti
Hei de algum dia ser perdoado por tudo que errei
Raridade é a vida, vida em penitência
Apetecido é o fruto proibido
Lembrar-me-ei eternamente dos teus olhos de menininho, teu sorriso
natural, da companheira bola que entusiasmava teu coração e da voz
imaculada
Nunca tivera sido minha intenção saquear tua identidade
Simplório forasteiro
Meu endereço sabeis de cor
Este corpo que moro conheceis de cor
Esta alma que moro conheceis de cor
Nos últimos meses ele tem adoencido bastante
Mosquitos e paludismo, a combinação para a morte perfeita
Imploro que venha até ao 152, por favor, para que eu me possa
desculpar e mesmo que não me perdoe este corpo e esta alma
lhe entregar...
Última Poesia
Cumpridas devem ser as promessas
O que foi que nos prometemos ?
Nunca prometi nada que eu não te pudesse dar
Se eu soubesse...
Se tu soubesses sentir o aroma das flores murchas
A nossa história não mudou
A sereia é muda, a andorinha nem pode voar
O tempo é a tesoura que passou bem no meio do nosso
laço, sem beijos, apenas um abraço, apenas um beijo
Se tu soubesses...
Se eu soubesse plantar a eterna flor do verdadeiro sentimento
A nossa história mudou
Iguais ingênuos olhares sobre a pedra, visões diferentes sem previsões
Beijo na testa, nenhum de nós voltará a dizer amor
O que nos resta é a retirada com a tremenda dor
Quando a trovoada é forte a terra sente
Quando a chuva é forte a terra ressente
Quando o vento é forte a terra sente
O homem volta ao pó e a terra agradece
Vou-me embora, minha vida está a findar-se
Escrevo para ti as minhas simplórias e últimas palavras
A carta que te prometi
Que a tesoura te traga um homem bom e melhor do que eu, o homem do teu
presente passado
Não esquecerei de ti, mas também não hei de lembrar
Quando até a ti chegar estas escritas, já não estarei por aqui
Lembra-te de que nem a distância eu irei sentir, as saudades não
me afetarão
Esquece tudo...
Esquece de mim
Mas lembra-te de guardar este bocado de papel na caixa de madeira,
com as nossas lembranças, e depois atirá-la ao mar...
Abraça o desapego, troca as lágrimas pelo teu sorriso que me encantou
Quando até a ti chegar estas escritas, já não estarei por aqui
Esta é a minha última poesia...
Cinzas
Amigos até depois de se findar a vida ?
Amigos...
Quem nos impõe as regras nos ama ?!
Nós somos apenas cinzas;
Os batimentos cardíacos são sobrestados;
Os movimentos corporais são anulados;
A fala se evapora;
A audição é oclusa;
A visão é tapada;
Nós paramos e o mundo continua;
As ondas continuam vivas no Mar;
Os raios continuam veementes no Sol;
As estrelas continuam a cooperar com a lua no Céu;
As aves continuam a voar em bando, às 17h nos céus da Rainha;
A nossa Ginga !
Os passos continuam silenciosos pela Rainha;
A nossa Ginga !
Sentimos a falta de quem já não está entre nós;
Amigos até depois de se findar a vida ?
Amigos...
Ao menos a nossa amizade durará para sempre...
Algum dia o mundo nos amou ?!
Pegamos a vida de empréstimo e pagamos caro por isso;
O que querem de nós ?
O nosso espírito ?
A nossa alma ?
O nosso corpo ?
Quem nos impõe as regras nos ama ?!
Nós somos apenas cinzas;
Os batimentos cardíacos são sobrestados;
Os movimentos corporais são anulados;
A fala se evapora;
A audição é oclusa;
A visão é tapada;
Desapareceste;
Por onde é que andarás ?
A alguem tentei contar a dor, mas ela é a areia na praia...
imensurável...
Amigos até depois de se findar a vida ?
Amigos...
Ao menos a nossa amizade durará para sempre...
Quietude
Procuro apenas a quietude,
a transformação do meu ser;
Serei para sempre este ser ?
Ser ignorante
às vezes perco as minhas palavras
e perco todos os debates,
os homens me dizem para deixar de
ser inútil, mas eu não respondo
apenas sigo para o desconhecido,
com algum rancor e mágua no meu coração
Sim sou inútil, não sei agradar aos outros
A felicidade é inútil, ser feliz é inútil,
aprecio a inútilidade
Sejam utéis entre vós, vivam para agradar-se,
vivam em favor uns dos outros,
que eu continuarei aqui sozinho apreciando
qualquer coisa, lutando contra certos pensamentos errados;
em silêncio, procuro apenas a quietude
Prosa Alquímica
O sol põe-se, eu me sento em meditação, procurando a terceira
visão
Um homem, uma face, um nariz, uma boca, três olhos, guri aprendiz,
guri inútil
Longe da aldeia, eu me sento em meditação, sinto o meu corpo
pelas matas, meus pés ajuntados "caminham pelas pedras do remoto
riacho" onde as sereias envocam o meu nome
Nada é o tudo que tenho
Se nada tenho, então nada tenho a perder, pois, já perdi tudo
Em meditação, travo batalhas contra as minhas máculas,
tentando transformar as pedras em ouro
Em meditação, eu abduzo-me mais da sociedade
Amor puro
Teu cheiro é melodia
E na senda eu sigo a ària
Predisposto a perder alguns alardes
E ser feliz
Felicidade !
Apenas seja feliz !
O amor é uma ilusão
O amor distabiliza
O dinheiro é uma ilusão
Distabiliza a humanidade
Quando fores à janela, lembra-te do "mito da caverna", e sai dessa matrix.
Poema alquimista
Não tente contar as estrelas
O céu é desconhecido
Desconhecido é o destino
Quem poderá transformar as pedras em ouro ?
Escreva poemas, faça arte
Jogue flores ao mar e siga...
Apenas siga a sua senda
A sedição é interna, despadronize o seu coração
Setentrional ou austral
Ocidental ou oriental
Apenas siga os batimentos de seu coração
Não permita que eles sejam sobrestados
Seja incrédulo, pois, os lobos hão-de vir em pele de cordeiro
Apenas decida, mas pós-ponderação, pós-meditação
Ame muito, faça leituras selecionadas
Desacorrente-se desse senso comum
Seja louco, defenda as suas convicções
Ignore terceiros e acredite...
Acredite muito em seus desvarios
Apenas sorria
O amor é corrosivo
O sentimentos podem ferir
Somente um amor atemporal pode curar
O amor é esse
Que nos sabe a oásis
A minha calma reside em teus braços
Por meio desses escritas apenas sinta a Poesia
Abra janela e sorria
Me tenha em suas simplórias cogitações
Ouça The Lumineers
Medite, contemple
Mantenho a porta encostada
Não tente me entender, apenas entre
Apenas abra as cortinas e debruce da brisa
Respiro por meio desses acordes
Transparência para que haja nitidez
Lealdade para que haja compreensão
O agora é para que seja aproveitado, o amanhã é incerto,
o ontem já é sábido
Apenas sorria e me beije
Caminho
Não se atarante com o meio
Ouça David Zé
Aproveite a brisa
Viva em paz e aproveite cada momento
Trabalhe, elimine a preguiça
Selecione o que hás-de ler e não te padronizes
Os rostos sorridentes iluminam as medusas
Como apenas dançar e passear feliz
Quando a tristeza passada é bem presente e cicatriza
Esqueça completamente
Apenas aproveite a brisa,
debruce do pôr-do-sol
Aproveite do brinde,
beba com saitisfação
Dê beijos de muito amor
Expire e inspire
Ame muito, pois o amor é o caminho
Ao acordar
Apenas agradeça por este talento
Dê beijos de amor à quem lhe ama
Preocupe-se apenas com o clima
Abra as cortinas, permita a ventania
Apenas aproveite a brisa
Sem atormentos, encontre a sua calma
Da suavidade do vento à descoberta da paz
Aproveite a brisa, apenas aproveite o momento
Esqueça os avezares que lhe atarantam
Explore a paisagem, abdique de todas as suas convicções
Seja inútil, apenas dê valor a si mesmo, não tente agradar aos outros
Realize o artificial
Cuide do natural
Ao acordar
Apenas agradeça por este talento
Abra as cortinas, permita a ventania
Apenas aproveite a brisa, apenas aproveite o momento
Poema Atemporal
O nosso poema, produzido pelos nossos impulsos...
Coragem para que possíveis amores não se percam
O silêncio paira em nossa calma
Magia são meus lábios nos teus
Nossos olhares são químicos
Deixe viver, apenas venha na sinceridade
Sinceridade para que os segredos sejam revelados
Aproveite a brisa, apenas tenha paciência
Sabali para que os equívocos sejam suportados
O amor é fantasia e nós estamos enfeitiçados
Vocábulos encantados são composições de serenatas
Sentimento atemporal, coração quase que explode
O nosso poema, produzido pelos nossos sentimentos...
ÂMAGO
Jojó puto de 14 anos que ao invés de uma esferográfica tem uma
catana em suas mãos e seus pés descalços nessas matas que amedrontam a elite
despreparada
A minha alma ficou na aldeia
O que é que assegura as nuvens lá em cima ?
Neve e nuvens assemelham-se
Energias transcendendo as forças terrenas
Homens escravizados, correntes nos pulsos dos escravos, ouro do colono
Eu voltei para a cidade
Pelo prazer o homem inala o pó e ao pó há-de voltar
Pegadas humanas marcadas na mata, não na lua
Corpos banhados e purificados no riacho de pedras
O balde de açúcar dado pela sereia à mulher dos panos amarelos
Mi-Sosos deixadas pelos ancestrais
A minha alma ficou na aldeia
Deduzi que o nosso espírito transforma-se em estrela no "pós-vida",
quando tudo se finda... quando é que tudo se finda ?
Mas, o que é o espírito ? e a alma, o que é ?
Eu voltei para a cidade
A vida é tão curta, procuro apenas a simplicidade
Conversando com o meu coração ele revelou-me que tu és a mulher certa
Se não forem biblícas podem ser pseudo-revelações
Inimigos exteriores são contos de fadas
A verdadeira batalha é a luta contra os nossos defeitos
A minha alma ficou na aldeia
Vazio é o prato, estafado é o corpo,
condenado é o homem que nasce na aldeia
Aldeia desiluminada, água das pedras infetadas
pelo vírus da desumanidade
Desumano sou eu que voltei para cidade, como se nada
eu tivesse visto
A minha alma ficou na aldeia
Jojó puto de 14 anos ainda sem comida no prato,
uma escola digna, nada de melhor para a família
água potável e sem energia
Apenas reza pela comida no prato e o ar fresco
Desenlace
Seremos nós o amor ?
Nossos passos são silenciosos
eu escrevo e canto as minhas confusas canções
impulsiva entregas-te,
te sinto indefesa em meus braços
Sonhas com a utópia que os meus olhos nunca viram
Sujas os teus pés para provares o teu amor
mas eu sinto o gosto de outra quando o vento bate
A magia foi-se, os problemas excederam
Todo mundo precisa de algo mais deste mundo
Não posso ser eu o amor
me desculpe, mas eu desisto de nós
eu seria qualquer coisa entre nós, menos o amor
Está morrendo, não sinto absolutamente nada
Ao sair da água, ganhamos a sede
Então, eu me sento e aprecio o mar
Talvez eu nunca tenha chegado a te amar
O homem da tua vida ?!
Este não sou eu
Eu sou o que queres,
mas não sou o que precisas
Meus passos nem se escutam
Caminho no escuro buscando a luz
Os teus olhos brilham
Mas não é este brilho que eu persigo
O risco foge e eu o sigo enfeitiçado
Brilho da minha vida ?!
Esta não és tu
Tu não és o que quero
nem o que preciso
impulsiva entregas-te,
te sinto indefesa em meus braços
Sonhas com a utópia que os meus olhos nunca viram
Sujas os teus pés para provares o teu amor
mas eu sinto o gosto de outra quando o vento bate
Cinza Paper
Se algum dia chegares a ler esta carta, espero que faça bem ao teu coração.
Se passares por problemas não escolhe as adversidades desta vida como pretexto para desistires do teu sonho azul.
Espero que a vida faça de ti um homem mais duro e um super homem para a tua família.
Será que ainda namoras com aquela negra atrevida ?
Enquanto estive vivo lutei pela minha sobrevivência, lutei pelos meus sonhos mas não consegui alcançá-los pois a minha força motriz venceu cedo de mais.
Eu via eles quando articulavam mal de mim pelas costas e depois me abraçavam e cumprimentavam proferindo : irmão como estás ? Andamos com muitas saudades tuas; irônicos.
Envaideceram-se ao preparar o meu desaparecimento para depois chorarem lágrimas falsas afim de obter o favor dos outros inocentes a carregar a minha caixa e cavarem a minha cova.
Quando alcançares o teu sonho e receber o enaltecimento de cima, não esquece do teu passado, lembra-te que aquilo que te tornaste não é igual ao que eras nos tempos de luta árdua quando ninguém acreditava em ti e que agora que foste enaltecido tens a possibilidades de melhorar a vida de muitas pessoas, mas não te deixes cegar pelos prazeres e luxos que o enaltecimento te trará, lembra-te de tudo o que me motiva a escrever para ti.