Queria pintar um quadro. Um que possa mostrar toda ou parte da minha vida. Um que seja representativo daquilo que sou, penso e vivo.
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Queria pintar um quadro. Um que possa mostrar toda ou parte da minha vida. Um que seja representativo daquilo que sou, penso e vivo. É mesmo uma pena, a ausência desse dom. Caso o tivesse, seria diferente. Um dia desses, assim como hoje, com muitas idéias na cabeça e pouca habilidade manual, deixaria de escrever esse texto e, com pinceladas, pintaria o meu quadro. Um quadro de minha total ou parcial vida. A idéia do quadro é boa, sobretudo quando se tem a possibilidade (quase que como código) de apenas o autor saber o que queira transmitir. Quantas vezes nos deparamos com obras de artes que não entendemos coisa alguma? Mas um quadro é um quadro. Foi objeto de inspiração. Alguém se lançou a ele quando ainda era apenas uma tela seca, vazia e sem nada. Pintar um quadro é colocar vida no nada. É dar uma identidade ao nada. Pintar o seu quadro é, acima de tudo e abaixo do nada, expor-se. Quais de nós teríam essa coragem? Gostaria de pintar o quadro. Mas não seria explícito. Misturaria tons, texturas, e o que mais fosse possível. Não esperaria receber aplausos, mem críticas. Afinal de contas, esse seria meu quadro. Afinal de contas, num quadro se conta o que se quer. Vou pintar um quadro. Vou pintar por aí. No mais, boas pinturas a todos!