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Frases de tadeumemoria

822 frases

⁠ACREDITAR No meu sonhar só vejo teu olhar só beijo teu umbigo
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⁠ACREDITAR No meu sonhar só vejo teu olhar só beijo teu umbigo eu sigo meu desejo e mais do que sonhar eu quero acreditar que acreditar nessa paixão que longe do que eu penso; eu penso longe eu quero acreditar que existe vida... e mesmo com o olhar perdido, o meu olhar que cai com o sol... que cai com a tua ausência, com os absurdos do dia a dia... tem uma luz que conduz a crer que o amor é que ilumina

⁠depois que eu aprendi a ser feliz, toda esta ansiedade me devora depois que eu descobri que não sou só, sinto me tão solitário olhava o céu sozinho como se as estrelas fossem minhas, agora olho a lua e os astros e nada me pertence; quero te contar algum segredo, mas não é mais…
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⁠depois que eu aprendi a ser feliz, toda esta ansiedade me devora depois que eu descobri que não sou só, sinto me tão solitário olhava o céu sozinho como se as estrelas fossem minhas, agora olho a lua e os astros e nada me pertence; quero te contar algum segredo, mas não é mais segredo o que eu quero... segredo é a ilusão que me mantém vivo, essa coisa que grita no meu silencio; eu não tenho mais controle do meu descontrole, agora eu penso, eu tenho certeza dessa incerteza, esse cair é o que me ampara...

⁠TREM DA PAIXÃO Não foi só paixão, foi muito mais o que o rio leva e a cachoeira cai...
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⁠TREM DA PAIXÃO Não foi só paixão, foi muito mais o que o rio leva e a cachoeira cai... uma força além do que eu podia suportar eu me perdi assim... o meu lugar comum me guarda desse olhar nem quero acreditar que o mundo é belo... se uma andorinha só não faz verão, verão que a dor do amor dói em qualquer estação não quero nunca mais sonhar... além desse ocaso o acaso deste além o que nos conduz a dor, ao amor é o trem dessa paixão, é o trem do teu olhar, é o trem...

⁠Eu vou escrever o teu olhar e essa coisa que me dá dó como a calmaria sinistra do Guandu conduzindo dejetos, presuntos e fetos sem nenhum B.O
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⁠Eu vou escrever o teu olhar e essa coisa que me dá dó como a calmaria sinistra do Guandu conduzindo dejetos, presuntos e fetos sem nenhum B.O mas me leva nessa dor, me leva nessa dor que o mundo é pequeno e arbitrário nada é tão bonito, nada é explicitamente definitivo como num epitáfio a felicidade flutua nas brisas e marolas, mas o amor se perde na imensidão dos que tem asas; algum dia estaremos sozinhos ao nível do horizonte, sem perceber que o futuro chegou e o passado foi ontem, mas as canções eternas serão nossas trilhas sonoras um dia olharemos o rio como dádiva divina que enriquece a alma

⁠Sou triste, sou tão triste, tão triste, tão triste... Sabe esses dias chuvosos... esses dias cinzentos, esses dias escuros
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⁠Sou triste, sou tão triste, tão triste, tão triste... Sabe esses dias chuvosos... esses dias cinzentos, esses dias escuros quando a natureza derrama todas as dores e as vidraças choram as lágrimas de todas as angústias sabe esta saudade que dói, de uma lembrança de um grande amor, de algo inesquecível... sabe a infância de manhãs ensolaradas em jardins floridos por borboletas, pássaros e libélulas... eu não sei... eu sou triste, triste, tão triste... um deserto povoa os dias, esfria as noites nessa imensidão onde olhares não se alcançam nem mãos se tocam, nem se ouvem as palavras que eu diria, que eu escreveria se eu pudesse escrever toda emoção, todo prazer, todo desejo de ser assim de escrever esses dias chuvosos, esse deserto, essas lembranças de grandes amores e coisas inesquecíveis que eu não vivi...

O que é que está acontecendo comigo o gato que eu era em cima do telhado de repente soltou seu miado
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O que é que está acontecendo comigo o gato que eu era em cima do telhado de repente soltou seu miado e sardinha, a piranha que dormia na calha se espreguiçara indiferente o meu olhar quarenta e tres só vale dez por cento dos dez por cento que valia Aceb, o mulçumano, não entendia eu te amo como eu entendia Aceb e sua filosofia... o que acontece comigo não olho mais o por do sol como eu olhara um dia não arquiteto o teto sob estrelas e tê-la, somente tê-la é minha obsessão, só resta-me uma vida, só uma vida, das sete que se presumira a brisa que leva seu perfume, leva a minha existência e o felino que habitava este coração caminha silencioso sob o firmamento riscado por meteoros buscando entender o que acontece...

⁠SUA AVE Seja suave, ave o amor, Ave Maria ave a ave, a aeronave desliza
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⁠SUA AVE Seja suave, ave o amor, Ave Maria ave a ave, a aeronave desliza cheira o pavê , prazer apraz saia godê, nunca mais me fale como a vida pode valer a pena, apenas gire nessa ciranda, babados e rendas, flor de algodão, samambaias, costelas de Adão, perfume leve de açucena saia godê de algodão seja suave, ave a paixão, olhar o mar e amar olhar, querer a vida assim ávida nesse querer mas nada nada incólume nesse mar de ansiedade, seja suave, não saia assim saia godê seja suave, seja sua a ave, o beija-flor, o jardim, a iguana tudo o que for essência, tudo o que fizer eco nesse ecossistema Saia godê, flor de algodão, banhado em orvalhos da madrugada, tecido suave preso à cintura onde a brevidade do que se faz breve, breve se fará ternura...

QUARENTA ANOS DE GESTAÇÃO ⁠Olhava as mulheres gravidas com mais atenção; a gravidez é no mínimo um gesto de amor;
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QUARENTA ANOS DE GESTAÇÃO ⁠Olhava as mulheres gravidas com mais atenção; a gravidez é no mínimo um gesto de amor; um gesto de amor que geraria outros gestos de amor. A mulher é o maior presente de Deus para o homem. Mulher é divino. Mas a gestação de que falaria não era a de nove meses, era uma gestação de quarenta anos. Poeta é um ser em eterno estado de gestação. Assim aos primeiros olhares tudo é descoberta, tudo é belo, tudo é paixão; poeta se apaixona pelo menos sete vezes por dia e sete vezes vai e volta à plutão. Assim passeava no limite de seu universo, até descobrir que era um feto em forma de versos, uma gestação de toda uma vida... então um dia talvez nasceria AMORAMORA

⁠E quando for verdade o que não for verdade eu levo dessa cidade o que não for cidade eu levo o tempo que eu não tenho
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⁠E quando for verdade o que não for verdade eu levo dessa cidade o que não for cidade eu levo o tempo que eu não tenho pelo tempo que eu tenho perdido... eu acredito tanto que a vida pode mudar, se mudarmos um tanto nesse acreditar; ah, podemos ser felizes sim mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção... a vida é pródiga, a existência profícua... temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã... e o lago que eu imagino, eu atravesso a nado como se fosse um menino, mas, nada nada assim no nada... o que não existe além do que eu imagino se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar, ainda sou um menino de cinquenta anos, tenho minhas fantasias, ainda faço planos ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia... dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia de me acreditar menino, de me acreditar poeta.

⁠Nem todos os versos são poemas Nem todas as regras Fazem parte do sistema
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⁠Nem todos os versos são poemas Nem todas as regras Fazem parte do sistema Fico no escuro pensando Ande um pouco, corra um pouco De vez em quando não corra perigo... Tenho tanto medo de ter medo E o medo é um bom conselheiro Tenho tanto medo de não ter a solidão De não ter o teu olhar no vazio A olhar o frio atrás da vidraça... O mundo é uma ameaça Viver é um perigo E amar... o que é amar? Os beija-flores têm caso com as rosas. As borboletas enfeitam o jardim Mas as primaveras se acabam no sol do verão

eu nem sou triste assim, eu só sou triste, e nem sou tão sozinho eu só sou só... ⁠e as vezes, só as vezes, as vezes olho pelas venezianas procurando... ainda não sei o quê
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eu nem sou triste assim, eu só sou triste, e nem sou tão sozinho eu só sou só... ⁠e as vezes, só as vezes, as vezes olho pelas venezianas procurando... ainda não sei o quê as paredes do condomínio me impedem o horizonte e os pirilampos que brincavam nas copas das árvores de corpos celestes e me inspiravam agora é só uma lembrança das boas recordações que eu ainda tenho... acho que gostaria de dizer isso pra alguém, mas não sei pra quem... quem entenderia um olhar pela veneziana buscando vagalumes, quem ainda entende de horizontes? O condomínio não me permite estrelas como as madrugadas do sertão, mas acho que não posso falar isso, acho que não posso falar muito; é melhor escrever...

⁠ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo de clima ou de temperatura o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
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⁠ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo de clima ou de temperatura o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias

⁠a minha verdade não é minha e a minha essência é multidão eu brinco de ciranda ao redor da montanha
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⁠a minha verdade não é minha e a minha essência é multidão eu brinco de ciranda ao redor da montanha de mãos dadas comigo mesmo penso que sou feliz e isso é tão longínquo que os rios me carregam e as estradas me conduzem em fila indiana até que eu caia de um crepúsculo e ressurja no nascente e os primatas que eu fui eram tão ternos, tinham a ternura das tristezas e das indecisões e isso fazia deles seres melhores do que hoje somos agora eu fico sozinho comigo mesmo e os meus cromossomos ora refletindo, ora contemplando e eu me pergunto: será que eu não sou Deus? porque afinal de contas, eu também sou solitário, eu também sou triste, fico perdido no que me constitui e no que compõe o meu DNA. Primata? -Não, os dias gloriosos se foram; preservei daquele símio só o angustiante prazer de se entregar a paixão... e quando ela passa iluminando o vale com sua aura, eu brinco de ciranda de mãos dadas comigo mesmo ao redor da montanha até que ela o encontra sob a copa de uma amendoeira frondosa se abraçam terna e loucamente apaixonados a fazer piscar de acanhamento astros há mil anos luz ... e eu fico pensando: ah, se eu não fosse Deus...

⁠WALKIRIA Ela pegou a vassoura..., Começou uma discussão boba,
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⁠WALKIRIA Ela pegou a vassoura..., Começou uma discussão boba, Quebrou alguns pratos, Rasgou cortinas e retratos Maldisse a família, bateu no filho e na filha Xingou a sogra, a minha progenitora, trocou de roupa, pegou a tesoura... E quando eu falei de amor ela armou um sorriso... Aquela coisa sarcástica que eu percebia na Ava Gardner Então eu vi que não tinha jeito Só não queria a tesoura, nem a faca... Doze polegadas de aço inoxidável cravada bem no meu peito Seria a menopausa... Mas nem uma pequena pausa Continuou aflita Fósforo e alcool ao alcance do braço, seria um inferno... E aquele amor eterno de que tanto falávamos... Fui tentar contê-la, ela colocou a tesoura na minha garganta Com essa proximidade eu fraquejava, beijei-lhe a boca... Já faz quatro anos, a idade de Amália... De vez em quando ela pega a vassoura... mas já temos três filhos E eu sei que ela não vai voar pra longe de mim.

⁠ BEIRUTE Ainda tinha as lembranças de alguns meses atrás, era uma marquise aconchegante apesar do mal cheiro de um contêiner de lixo que exalava mais forte com os pingos de uma chuva de um verão ardente, e chegava-nos de longe, provavelmente de algum veículo, o som de uma músic…
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⁠ BEIRUTE Ainda tinha as lembranças de alguns meses atrás, era uma marquise aconchegante apesar do mal cheiro de um contêiner de lixo que exalava mais forte com os pingos de uma chuva de um verão ardente, e chegava-nos de longe, provavelmente de algum veículo, o som de uma música de um tempo romântico quando nossas asas eram ainda imaculadas. Beirute mencionara uma coisa bonita como alguém mencionara há muito tempo atrás, passou as mãos nos meus cabelos, como aquele alguém querido, mas o que fizemos ali não foi amor... parecia mas uma louca tentativa de segurar algo que parecia escapar das nossas almas como a capacidade de amar; amor; acho que não sabíamos mais o que era isso. No nosso mundo chovia meteoros como nosso planeta em formação, e algumas espécies foram exterminadas. Marco Aurélio Penha ganhara o apelido exato para retratar sua alma em conflito: Beirute. Ainda bem lá no fundo, percebia-se, tinha a sensibilidade de uma adolescência bem-amada por sua família do agreste nordestino, que ficara esperando notícias do jovem que partira paro sudeste em busca de emprego. Não fora fácil pra Mirica: (Mirian Ribeiro Castro), aproximar-se de Beirude; ele era arredio, introspectivo, tímido; e só quando ela se mostrara como álibi, durante uma abordagem policial que o acusara de conduzir drogas que foram encontradas próximo a ele... assim, Mirica conseguira a confiança de Beirute a ponto de ser sua confidente e leal parceira. Marinalva e Jocasta, mãe, e filha que provavelmente nem tinha nascido, quando ele decidiu tomar o rumo do Rio de Janeiro; eram esses os nomes que seriam sua redenção, o que trazia algum brilho ao par de olhos negros confusos e tristes. Era só um “avião”, era assim que se identificava; “só um avião, os “passageiros” querem “viajar” e eu tenho que decolar”. Não contava as vezes que tinha que subir o morro para atender pedidos. Essa era a vida de Beirute, as vezes que tentara fugir disso não deram certo; uma parada na central do brasil que lhe rendera um linchamento quase fatal e uma parada em Copacabana que lhe deixaram duas cicatrizes de bala na perna esquerda; depois disso parece que aprendera, e só subia o morro para pegar alguma coisa. Isso era decolar. “O morro é meu, o Rio não é uma faixa de gaza, Beirute não é alvo”; Dizia sorrindo sem perceber a guerra onde a guerra não se mostra, onde não parece haver fronteiras; onde qualquer atitudde é um ato político, onde qualquer roupa é a sua indumentária. Agora estava ali, estendido, uniforme do ferroviário estava manchado de sangue, no antebraço esquerdo a tatuagem: Jocasta, o nome da filha que nem chegara a conhecer. Era uma calçada imunda, húmida, sob uma marquise rachada que ameaçava desabar sobre quem passasse por ali; ao lado do cadáver de Beirute estava mogango, o vira-lata preto e branco pra quem ele trazia restos de comida. Mirika enxugou o par de lágrimas que rolara dos seus olhos, jamais subiria aquele morro novamente, seu amigo fora assassinado provavelmente porque fazia isso; escreveria uma carta a dona Nigéria, mãe de Beirute, mas não lhe falaria de morte, não lhe falaria de coisas tristes, falar-lhe-ia dos passeios na Quinta, do Fla x Flu no Maraca, da saudade que ele mencionara da família e dos amigos da igreja; guardaria a grande surpresa pra quando lá chegasse: Isaac, o feto de três meses, que já se mexia ali no seu ventre, e jamais permitiria que conhecesse aquele lado sombrio da vida.