Se há dimensões que transcendam as dúvidas, então transcendemos também a razão. Se isto acontece, o que nos garante a coerência? Um grau elevado de compreensão? Algo supra cognitivo?
Se nos cabe colocar a existência de deus no ponto onde não alcançamos a compreensão, o que garante que isto realmente não seja produto da nossa necessidade existencial? O que vejo é uma condição sine qua non para nos sentirmos úteis perante o Universo, e dar sentido à nossa vida. Ninguém está a salvo disto. Hipócrita será o homem que não admitir que sente/sentiu essa necessidade de ir além do compreensível.
Se a questão de transcender a razão não justificar a dispensa da justificação, entremos mesmo no campo da mística, e, nisto, não há ciência ou razão que chegue.
Nosso Mundo
Tornarei Seu Mundo mais teu
Um pouco meu
Um tanto nosso
Basta a porta abrir
A brisa entrar
O voou seguir
Quero ver-te livre
Quero ver-te alto
Quero sentir-te perto
Asas hei de dar-te
Hei de cultivá-las
Basta a porta abrir
Viverei num Mundo menos meu
Um pouco teu
Um tanto nosso
Grande Abraço
Começando do final,
Pois é no fim que se começa,
A espera não é eterna,
Ela tarda a findar.
Tornar-me-hei, sim, ternura
Da suave formosura,
Das palavras duras
Que a diferença encarregou-se de criar.
Certo estou que dos céus ela chegará,
Acalentará o desmetricado coração
E algarviará o verde-amarelo com vermelhidão.
Sarará.
Sara há.
Será!
É lá e cá
E cá estou
E lá, ela
E cá os sonhos
E lá as pedras
E cá as rosas
E lá os espinhos
E cá a vida
E lá o caminho
Rápido rastejo
Devagar a finto
Vulgar que sou
De fato minto
Sonho vivido
Roupa usada
Sapato velho
Da Alma Penada
E cá está ela
E lá, eu
E as pedras nas rosas
E os caminhos da vida