No véu da noite, onde a luz não ousa, cresce o fel que o peito não cala. Ódio escorre, denso, nas veias,
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No véu da noite, onde a luz não ousa, cresce o fel que o peito não cala. Ódio escorre, denso, nas veias, como veneno que nunca se embala. Queima lento, sem chama visível, mas deixa cinzas em cada olhar. Rancor é corvo de asas negras, sempre pronto a pousar e ficar. Não há perdão sob este céu sombrio, só memórias afiadas como punhal. O coração, outrora abrigo, agora é templo do mal. E o tempo — cúmplice desse tormento — ri das feridas sem cura ou cor. Pois onde o ódio finca seu trono, floresce o império do rancor.