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Frases de Sidney Silveira

1.356 frases

⁠"O verdadeiro amor é uma monotonia sublime".
⁠"Da futurologia, o afã de prever com grande precisão o porvir, passa-se à futurolatria, a adoração do que ainda não existe. Toda revolução perfaz-se num exercício ideológico de futurologia que descamba, necessariamente, em futurolatria: da previsão de um amanhã funesto passa-se…
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⁠"Da futurologia, o afã de prever com grande precisão o porvir, passa-se à futurolatria, a adoração do que ainda não existe. Toda revolução perfaz-se num exercício ideológico de futurologia que descamba, necessariamente, em futurolatria: da previsão de um amanhã funesto passa-se à veneração de um amanhã político promissor. O revolucionário catalisa o medo das massas no tempo presente para encantá-las, induzi-las à ilusão de um mundo melhor no futuro. Isto, é claro, se as suas propostas ideológicas forem seguidas à risca. O antídoto contra todos os profetas profanos da felicidade imanente, mundana, terrenal, é Aquele a quem todos normalmente chamam "Deus", o Próprio Ser Subsistente que está para além de todos os amanhãs e nos quer partícipes de Sua eternidade, situada fora do tempo".

⁠"A personalidade é a identidade profunda de uma pessoa consigo mesma, naquilo que essencialmente a constitui. Portanto, não pertence à ordem do agir, mas à do ser. Não pertence também a nenhuma instância subconsciente ou inconsciente. Não pertence, por fim, à instância sensitiva…
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⁠"A personalidade é a identidade profunda de uma pessoa consigo mesma, naquilo que essencialmente a constitui. Portanto, não pertence à ordem do agir, mas à do ser. Não pertence também a nenhuma instância subconsciente ou inconsciente. Não pertence, por fim, à instância sensitiva na qual afloram inúmeros apetites físicos. A personalidade é a própria pessoa desprovida dos vícios que a impedem de afirmar-se no mundo pelo amor. Tudo o que se constitui em óbice para o amor despersonaliza, desfigura nalgum grau a pessoa humana. Neste sentido, alguém que vive na superfície de suas pequenas satisfações ou insatisfações cotidianas é uma personalidade apagada, sem atrativos, desprovida de digitais espirituais que a distingam das demais pessoas. Uma pessoa desfigurada por vícios presta-se à homogeneização fomentada por ideologias, sejam estas quais forem. Continua sendo uma pessoa, é verdade, porém uma pessoa em ruínas, impossibilitada de conhecer as suas próprias potencialidades. A personalidade é o sujeito que está para além de todos os acidentes que nele inerem, quer intrínsecos, quer extrínsecos. A pessoa pode ser magra, baixa, alta, gorda, ter sofrido isto ou aquilo na vida. Estas circunstâncias não configuram a sua personalidade, embora a influenciem. O "eu" em sua nudez metafísica, operando habitualmente de acordo com a excelência das potências superiores da alma, inteligência e vontade. Isto é a personalidade. Quantos de nós conseguimos alcançar esse âmago que nos constitui?"

⁠"Os extremos não se escandalizam: as pessoas boníssimas a quem chamamos "santos", como também as de elevado grau de malignidade, têm a alma imune ao escândalo. Os santos por proficiência, pois conhecem de maneira extraordinária as insídias do mal e os anticorpos a serem usados c…
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⁠"Os extremos não se escandalizam: as pessoas boníssimas a quem chamamos "santos", como também as de elevado grau de malignidade, têm a alma imune ao escândalo. Os santos por proficiência, pois conhecem de maneira extraordinária as insídias do mal e os anticorpos a serem usados contra elas; os cruéis por deficiência, pois suas almas foram narcotizadas a ponto de as piores maldades não lhes suscitarem espanto".

⁠"A indiferença para com o próximo que passa por dificuldades — a começar pelos amigos e pela família, que são os próximos mais próximos — é o primeiro sintoma de fadiga moral. Ultrapassado este ponto, o passo seguinte de uma pessoa em tal estado é acusar o próximo pelo infortúni…
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⁠"A indiferença para com o próximo que passa por dificuldades — a começar pelos amigos e pela família, que são os próximos mais próximos — é o primeiro sintoma de fadiga moral. Ultrapassado este ponto, o passo seguinte de uma pessoa em tal estado é acusar o próximo pelo infortúnio que sofreu, maneira eficiente de não lhe estender a mão sem sentir culpa, num total alheamento. Cedo ou tarde, a indiferença transforma-se em delito espiritual irreversível, pois vai destruindo aos poucos o que um homem tem de mais excelente: a possibilidade de amor verdadeiro. Possibilidade que essencialmente o constitui. Ser indiferente é despersonalizar-se, nadificar-se sem o saber".

⁠"Ao sermos mal-interpretados por amigos, é razoável a presunção de que não fomos suficientemente claros, pois nem a boa vontade deles para conosco evitou o seu equívoco quanto à nossa intenção. Ao sermos mal-interpretados por falsos amigos, é razoável a presunção de que fomos cl…
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⁠"Ao sermos mal-interpretados por amigos, é razoável a presunção de que não fomos suficientemente claros, pois nem a boa vontade deles para conosco evitou o seu equívoco quanto à nossa intenção. Ao sermos mal-interpretados por falsos amigos, é razoável a presunção de que fomos claros e a malícia deles turvou-lhes o juízo, a ponto de distorcerem a nossa intenção. Ao sermos mal-interpretados por inimigos declarados, é razoável a presunção de que fomos claros, eles compreenderam relativamente bem os nossos motivos, porém não os suportam. Um amigo pode errar mesmo julgando-nos com benevolência; um falso amigo erra sempre julgando-nos com inveja; e um inimigo declarado, julgando-nos com ódio. Nestes três casos, ainda que o erro seja o mesmo, as distintas motivações mudam a natureza moral do juízo equivocado. As conseqüências também são diversas: a genuína amizade quando erra apenas arranha, e traz consigo pensos para fazer o curativo, se necessário; a inveja quando erra difama; e o ódio mente. Estes dois ultimos costumam aumentar a ferida que causaram".