Vazio...
Sua sombra não mais me atravessa
Arrastou-se ao nada consta
Não há mais passo em falso
E nem mesmo gravidade
Em cima do muro, não há mais mandato.
A festa acabou e o céu já clareou
Terra firme, avante oxalá.
Aleluia, imunizei-me!
Praga pestilenta, o fogo queimou.
Fumaça da peste, o mar arrastou.
Afundou-se nos quintos dos infernos
Tudo que te faz mal, certamente morre.
Tempo, senhor dos destinos.
Memória se tem ,até o último suspiro
Tempo do meu tempo
Há tempo para consertar
Quando tudo está errado
Aliviada... Mãos se acenam !
Sobrou-me um vazio, nada mais.
Amar é assim
Colorir o sol...Mesmo que não te aqueça
Colorir as estrelas...Mesma que sem brilho
Colorir o céu...Mesmo que ofusco aos seus olhos
Colorir o mar...Mesmo que esteja se afogando
E colorir o homem...Mesmo que esteja fracassando.
O mundo é dos espertos,sintonizem-se
Até no amor as armadilhas são outorgadas
De boa fé amamos as pessoas do nosso jeito
E quando caímos no precipício ficamos sufocados
Ariana !!!
Ariana menina rosa espinho!
Com seu jeito...
Extremamente extravagante
Veio do fogo, sem medo de se queimar.
Atropela em tudo sem pensar
Soltando e se exaltando
Sem saber... Ou não querendo saber,
que ao seu lado existem almas,
Corações e olhos a te observar.
Você... Ou melhor eu...
Ariana menina destrambelhada.
Vive no ar, mas não sabe voar!
Tem olhos... E não sabe enxergar!
Tem ouvidos... E não sabe escutar!
Tem braços... E não se preocupa em abraçar!
Onde há defeitos, há virtudes,
E sem muitos rodeios posso dizer que...
Dentro deste fogo há uma ariana
Com alma de criança!
Com o coração de menina!
Uma corajosa mulher.
Quando ama se incendeia, põe-se em mesa,
toda sua essência sem medir consequências.
Quando busca o amor...
É uma guerreira incansável
Que ama sem medo e sem rodeios.
Ariana menina rosa espinhos!
Que precisa ainda saber escutar
Que precisa ainda se limitar
Sua cabeça dura...
Bate,rebate,grita, reclama.
Em seguida...
Coração amolece... Arrependido adoece
Chora, reclama... Se engana.
Amanhã...
Ainda não aprendeu !
A soma dos nossos erros se contabilizam
E se agrupam num denominador comum
Com o decorrer do tempo recorremos às divisões
E em partes iguais distribuímos as causas em ações
Hoje Acordei pensando em você!
Há muito tempo não me acontecia
Hoje vacilei!
Fui contra meus princípios
Quebrei meus sacrifícios
Peguei-me pensando em você.
A vida resume-se em leis, direitos e deveres
Conquistas, leilões e dívidas de nossos pecados
Há se um perdedor e com certeza um ganhador
Quem sabe leva, quem fica vive os desprazeres
O homem só grita soberba quando permitimos
Encará-los com respeito e autocontrole
Certamente deixará seu tom de voz mais brando
Porque ninguém é maior, melhor ou mais valente que alguém
Não estou equivocada
E nem me guardo em nenhum armário
O tempo me criou, tornou-se meu rei
Aproveitei minha chance sem me apagar
Sentei a minha mesa sem sonegar
Rouba-me !
Surge assim do nada e rouba-me...
Rouba-me meu amor e ainda diz estar tudo bem ?
Ainda diz-se ser somente um empréstimo?
Tira de mim o meu pão...
E diz-se estar faminta?
Tira de mim minha água...
E diz-se estar sedenta?
Vem e rouba-me!
Rouba-me meu amor...
Ainda diz-se ser só por instantes?
Tira de mim meu cobertor, meu aconchego...
E diz-se estar com frio?
Um disparate, isto é abuso.
Quer simplesmente um uso.
Vai pegando, se apossando...
Sem questionar se há carimbo.
Rouba-me... Leva-me meu tesouro !
Atrevida, cangaceira...!
Vem de longe, sem eira nem beira...
Vai chutando, empurrando.
E rouba-me .
Eu não dei, não emprestei e nem vendi.
Chega-se uma pentelha...
E se apossa daquilo que construí.
Fui lá e tomei de volta.
É meu por direito !
Não empresto, não vendo e nem dou.
Aceno minhas mãos ao vento
Ele leva de volta este estrago passageiro
E lança-a onde tal merecer
Vai-te... Até nunca mais !
Cure os seus devaneios junto ao vento
E o vento rouba-te!
Selda Kalil
MENTIROSO !
Era você o mentiroso !
E o tempo me provou isto
Bem feito pra mim quando acreditei
E não enfrentei o fogo que se alastrava
O mundo nem sempre é dos espertos
Quando as verdades se acentuam
São os primeiros a caírem no fogo
E saborearem seu próprio veneno
Bem feito, mentiroso de uma figa!
Enganou a todos, contou suas anedotas
Enrolou-se numa saia de feixe quebrado
Engasgou-se com os restolhos ficados
E enterrou teu pescoço no lamaçal
Nesta colisão pude perceber...
Que eu quase soube o que era o amor
Ainda bem que brequei no quase...
Ainda bem...Ainda bem !
Fui alertada que o barco estava furado
Quase naufraguei, quase naufraguei
Porque eu quase soube o que era o amor
Quase soube...quase soube !
Ainda bem... Ainda bem !
Era você o mentiroso!