Não se brinca com a sorte,ela não te perdoa
Ela chega com pressa e joga-te as cartas
É pegar ou largar sem meros descartes
Do contrário ficará vendo estrelas
E o tempo instruiu-me...
Caminhar com direitos dentro do meu juízo
Erguer-me sobre efeitos dos sonhos esculpidos
Prestar-me agradecida pelo tempo vivido
Soltar-me em liberdade onde meus pés alcançarem
Quando tudo está errado você entra e acerta
Tento me convencer que não preciso de você
Perco meu juízo e procuro outro abrigo
Não dou trégua ao meu orgulho descabido
Nas suas confissões houve contradições
Deitou em cima das mentiras miseráveis
Deixou-se levar por esta laranja podre abominável
Não sei por que você caiu neste monte azarado
Marcas do tempo
Marcas do tempo nos reformam a cada ano
Desenham-nos a cada transformação
E num zigue-zague de ponto cruz
Bordam os contornos das nossas ilusões
Marcas do tempo que nos sintonizam
Pincelam linhas em surrados semblantes
Deteriorizam-nos em plenitude e beleza
E semeiam-nos o aprendizado das certezas
Marcas do tempo enfraquece-nos em euforias
Arrastam chinelos, diminuem nossos compassos.
Deita-te erguido e acorda-te aluído ao cansaço
Marcas do tempo contemporizam sem modéstia, faz moradia.
Despejam todos os seus direitos reservados em tempo estipulado
Assombram-nos com suas reais cobranças postuladas
Se você deixar, te faço um ninar.
Sussurro em teus ouvidos palavras santas
Rezo o meu terço no seu santuário
Levo-te aos céus neste vai e vem visionário
E assim segue a lei dos acertos
Em leilões e distribuições das posições
Quando a cabeça não se acerta
O corpo não se posiciona
E o coração não funciona.