É pelo nosso amor-próprio que o amor nos seduz. Como resistir a um sentimento que embeleza o que temos, que nos restitui o que perdemos e nos dá o que não temos!
Frases de Sébastien-Roch Chamfort
66 frases
A sorte, para chegar até mim, tem de passar pelas condições que o meu caráter lhe impõe.
O ser humano tem até de experimentar o amor, para que compreenda bem o que é a amizade.
Existem defeitos que são uma protecção contra alguns vícios epidérmicos, do mesmo modo que, em tempo de peste, os doentes de febre quartã escapam ao contágio.
Goza e faz gozar, sem fazeres mal nem a ti próprio, nem a ninguém, eis, suponho eu, toda a moral.
Por pior que um homem possa pensar das mulheres, não há mulher que não pense ainda pior do que ele.
É mais fácil legalizar certas coisas do que as legitimar.
Um amoroso é um homem que se empenha em ter mais amor do que lhe é possível ter, e essa é a razão por que todos os homens amorosos parecem ridículos.
O mais desperdiçado de todos os dias é aquele em que nós não rimos.
O vício não seria completamente vício se não odiasse a virtude.
É de desejar a preguiça dos maus e o silêncio dos tolos.
Muitos livros devem o seu sucesso à afinidade entre a mediocridade das ideias do escritor e as do público.
Não se imagina quanto espírito é preciso para não sermos ridículos.
Qualquer homem que, aos 40 anos, não é misantropo, nunca gostou dos homens.
Quando se tem a lanterna de Diógenes, tem que se ter o seu cajado.
Hoje em dia, aqueles que amam a natureza são acusados de romanescos.
Dá-se com a felicidade o que se dá com os relógios: quanto menos complicados, menos se avariam.
Admira-se o talento, a coragem, a bondade, as grandes dedicações e as provas difíceis, mas só temos consideração pelo dinheiro.
Devemos ser justos antes de sermos generosos, tal como precisamos de ter camisas antes de rendas.
Há séculos em que a opinião pública é a pior das opiniões.
O amor agrada mais que o casamento, pelo mesmo motivo que os romances divertem mais que a História.
Apenas sabemos bem aquilo que não aprendemos.
Apenas a inutilidade do primeiro dilúvio impede Deus de nos mandar um segundo.
Temos que nos acostumar com duas coisas, sob pena de considerar intolerável a vida: as injúrias do tempo e as injustiças do homem.